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Cristologia no Profeta Ezequiel

OBJETIVO DO LIVRO DE EZEQUIEL

O objetivo era duplo, conforme se pode observar nas duas divisões principais do livro:

A. Promover arrependimento e fé com o aviso do julgamento iminente sobre Jerusalém e as nações.

B. Estimular esperança e confiança com a mensagem posterior de reafirmação de que um dia o povo seria novamente reunido, a cidade restaurada e um novo templo construído.

A primeira mensagem foi enfatizada durante os seis primeiros anos do seu ministério (592-586). Ele afirmou que Jerusalém e o templo seriam destruídos, Babilônia não cairia rapidamente (como os falsos profetas proclamavam) e o Egito seria uma falsa esperança de auxílio, pois também seria conquistado pela Babilônia. Todavia, depois da queda de Jerusalém, Ezequiel tornou-se o profeta da esperança e do otimismo, quando profetizou a restauração final de Israel. Deu-lhes descrição detalhada da futura glória e santidade da nação, evitando assim que eles se estabelecessem nas atividades prósperas da Babilônia e se esquecessem de Jerusalém.

AFASTAMENTO DA “GLÓRIA” (10:18)

A “Glória” do Senhor, à qual Salmos e Isaías se referem muitas vezes, é descrita em Ezequiel como a presença visível de Deus (era designada pela palavra hebraica “shechinah”). Essa nuvem de “Glória” residia sobre o propiciatório coberto pelos querubins do templo. Ezequiel, o sacerdote, descreve o julgamento de Jerusalém pelo afastamento dessa glória. Nos capítulos 9-11, ela é vista afastando-se com relutância, primeiro dos dois querubins do santo lugar, em seguida da porta do templo a leste, depois da cidade, após ter flutuado sobre a porta leste e, finalmente, do monte das Oliveiras, como se escrevesse “Icabode” sobre o templo e a cidade (8:3; 10:4, 18, 19; 11:22-24). A sua volta é descrita em 43:2-7, após a construção do novo templo. Essa vinda da Glória para o templo do milênio refere-se a Êxodo 40:34 e 2 Crônicas 5:13-14, onde a grande nuvem desce primeiro sobre o tabernáculo terminado e mais tarde sobre o templo de Salomão recém-construído. Aquela glória visível esteve sempre ausente dos templos de Zorobabel e de Herodes. A glória maior do futuro templo será a presença do Próprio Senhor ou Messias (Zacarias 2:5; Ezequiel 48:35).

IDOLATRIA DE ISRAEL NO EGITO (20:5-9)

Ezequiel deu uma contribuição importante à história de Israel no Egito quando fez menção de um detalhe omitido por Moisés em Êxodo. Ao censurar os anciãos idólatras em Ezequiel 20, o profeta lembra-lhes que a idolatria da nação tinha as suas raízes no Egito. O grande sofrimento dos israelitas no país do Nilo, infligido pelo Faraó e os seus feitores, é visto por Ezequiel como tendo também uma causa espiritual. Foi a profunda idolatria dos judeus. Devido a essa idolatria, o Senhor estava prestes a abandoná-los. Entretanto, “por amor ao seu Nome”, ele providenciou para recuperá-los como o seu povo. Essa tendência para a idolatria deveria ser agora curada com uma temporada na Babilônia, e Ezequiel quer que eles entendam tal coisa.

EZEQUIEL COMO O “FILHO DO HOMEM” (2:1)

O Senhor dirige-se a Ezequiel como o “filho do homem” noventa e três vezes, um título apenas usado para se referir a Daniel (Daniel 8:17), e usado mais de oitenta vezes referindo-se a Jesus. Esse título parece enfatizar a unidade do profeta com o seu povo, especialmente ao pronunciar julgamento contra os judeus. Jesus também usou esse título, mais do que qualquer outro, referindo-se a si próprio, e justificou a sua autoridade em julgar a humanidade por ser “o Filho do Homem” (João 5:27).

O SISTEMA SACRIFICIAL REINSTALADO (40:39; 45-46)

Esses textos chocam-nos com a profecia de que o sistema do Antigo Testamento das ofertas de sangue será reinstituído no novo templo. O ponto crucial do problema é que Hebreus 8-10 demonstra que a oferta única de Jesus pelo pecado tornou obsoletos todos os demais sacrifícios animais (Hebreus 9:26; 10:18). Deve ser lembrado, porém, que Hebreus 8-10 não argumenta que as ofertas de animais foram antes redentoras e são agora obsoletas, mas que elas jamais retiraram o pecado. Apenas indicavam Cristo como a oferta única para sempre. Com o propósito de enfatizar esse ponto, Jesus deu à Igreja o ritual da comunhão e do batismo para simbolizar sua morte, sepultamento e ressurreição até sua vinda (Mateus 26:26-29; 28:19). São um lembrete constante dessas verdades redentoras, apontando para a cruz. Desde que são recordações da sua morte “até que ele venha” (1 Coríntios 11:26), um memorial ulterior não estaria deslocado para aqueles que nascessem e fossem redimidos na era messiânica. Evidentemente é esse o objetivo do renovado sistema de sacrifícios animais no templo descrito por Ezequiel. Terão uma importante função memorial, mas não uma função redentora.

CRISTOLOGIA EM EZEQUIEL

As referências messiânicas em Ezequiel, como em Jeremias, são bastante limitadas quanto às afirmações específicas. Há, todavia, diversas referências indiretas ao Messias como Pastor, Rei e Sacerdote.

a. A sua obra como o “Bom Pastor” é sugerida em 34:11-16, após a denúncia dos pastores egoístas de Israel. No versículo 11 o Senhor declara: “Eis que eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e as buscarei.” Os textos seguintes elucidam sua obra como “Bom Pastor”, cuidando, libertando, reunindo, alimentando, fazendo repousar, procurando a ovelha perdida, curando e fortalecendo a enferma. E, sem dúvida, o texto a que Jesus se referiu quando declarou em João 10:11, 14: “Eu sou o bom pastor”, distinguindo-se dos falsos pastores da época.

b. Há alusões ao seu reinado em 21:27 e 37:22. Após a predição de que os israelitas seriam congregados de todas as nações, o Senhor diz: “Farei deles uma só nação.., e um só rei será rei de todos eles” (37:22). Tal informação é claramente messiânica e está relacionada com Isaías 9:7 e Lucas 1:32. A afirmação de 37:24: “O meu servo Davi reinará sobre eles” pode, evidentemente, ser uma designação do Messias como o “Filho de Davi”. Entretanto, poderia também ser uma referência ao fato de que Davi, depois da ressurreição, servirá como rei sobre Israel, sob a autoridade máxima do Messias, que será o Rei dos Reis (Ezequias 34:24; Oséias 3:5; Apocalipse 19:16).

c. O sacerdócio do Messias não está mencionado nesse livro, mas acha-se subentendido pelo fato de o templo ter sido detalhadamente descrito sem um sumo sacerdote. Como é inconcebível haver um templo sem um sumo sacerdote, o fato de esse sumo sacerdote não estar mencionado faz supor que todos saibam que um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque será levantado para ser “sacerdote no seu trono” —o Messias. (Salmo 110:4; Zacarias 6:13; Hebreus 5:6).

—– Retirado de: Stanley Ellisen – Conheça Melhor o Antigo Testamento.


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