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Cristologia no Livro de Ester

OBJETIVO D O LIVRO DE ESTER

O objetivo histórico deste livro foi evidentemente encorajar os judeus dispersos por todo o império com a história do contínuo interesse e presença do Senhor, mesmo que ele não fosse visto e os judeus estivessem longe do templo de Deus em Jerusalém. Apesar de o nome do Senhor não ser mencionado, sua divina direção faz-se presente em todo o livro. Houve também o objetivo religioso de dar uma explicação autêntica da origem da festa judaica do Purim, uma festa especialmente cara aos judeus da dispersão.

LUGAR DE ESTER NA HISTÓRIA

Esse livro tem estado nos dois extremos de julgamento: 1) O mundo judaico tem-no na mais alta estima; perde somente para os livros de Moisés. Além de lerem-no anualmente por ocasião da festa do Purim, eles o têm lido e reverenciado em todo o mundo, nas inúmeras ocasiões semelhantes de opressão, e nas ameaças de aniquilamento. 2) Outros, como Martinho Lutero, consideram-no sem valor algum. Lutero disse que desejaria que tal livro não existisse. Essa opinião reflete a atitude da igreja na época de Lutero, e da Igreja Católica em geral, considerando os judeus uma raça maldita por ter crucificado Jesus e, portanto, sem futuro no programa divino. Como reação, os judeus consideram a igreja um inimigo tradicional e a pessoa de Jesus o ponto convergente do problema da raça e o motivo da perseguição.

OS JUDEUS E A LUTA DOS IMPÉRIOS

O Livro de Ester dá uma idéia das contendas da corte persa, bem como das lutas dos judeus. O império persa foi o segundo dos reinos gentios da visão de Daniel, em Daniel 7:1-7 (comparar com Daniel 8:19 e ss.), sendo que o primeiro reino foi o da Babilônia, que veio e se foi em menos de noventa anos. Durante o reinado de Assuero, já havia presságio de um grande poder ocidental grego. O malogro de Assuero ao tentar anexar cidades gregas depois de saquear Atenas e destruir a Acrópole inflamou o desejo de retaliação por parte dos gregos. Tal coisa finalmente aconteceu 150 anos mais tarde quando Alexandre, obedecendo ao plano do seu pai, Filipe de Macedônia, atravessou o Helesponto, venceu os persas em Granico e levou de roldão todo o trajeto até as capitais persas Susa e Persépolis, queimando esta última do mesmo modo que Assuero tinha feito com Atenas. Como os persas tinham adotado o zoroastrismo, Alexandre não quis destruir aquele dualismo politeístico, no momento em que espalhava a filosofia de Aristóteles e do helenismo com a sua “alegria e liberdade pagãs e o amor pela vida”, por todo o seu trajeto até o rio Indo. Essa nova filosofia de vida ocidental ia desafiar Israel durante os anos intertestamentários e fazia parte do cenário mundial quando o Messias veio.

A contenda dos impérios não era independente da religião ou apenas militar. Esse conflito de culturas e filosofias deve ser observado num nível mais alto de forças espirituais, como Daniel foi informado, em Daniel 10:13-21. O “príncipe do reino da Pérsia” (um anjo satânico) resistiu ao anjo que falava com Daniel, e o “príncipe da Grécia” estava pronto para também se opor a ele. Daniel foi encorajado com o fato de o arcanjo Miguel estar ao seu lado. Em Daniel 11:1-3 está descrita a invasão de Assuero e a conquista final de Alexandre. A história de Ester ilustra como a luta de Israel nesse conflito não seria vencida por forças ou esquemas materiais, mas por prática espiritual e pela confiança no Senhor da aliança, que tudo domina.

FASCINANTE DRAMA DE ESTER

É um dos mais fascinantes dramas de toda a literatura. Tem todos os elementos de excelente drama, suspense e intriga. Dois antigos adversários confrontam-se. Um é um astuto vilão, que se arrasta para conseguir o poder. O outro é um humilde camponês, que ganha as boas graças do rei. É uma história de Cinderela que atinge o suspense perfeito no capítulo central. Planeja-se um enforcamento, e um holocausto racial viria a seguir. Mas dois casos de insônia ocasionam total mudança de situação: o vilão fica impaciente e inadvertidamente condena-se perante o rei, o que justifica o seu enforcamento em sua própria forca. Longe, porém, de ser apenas um drama brilhante, é um retrato fiel dos acontecimentos que mudaram o curso da história de todo um povo. Repercutiu realmente em toda a raça, pois os progenitores do próprio Messias estiveram em perigo.

CRISTOLOGIA NO LIVRO DE ESTER

O livro não tem profecias específicas ou antítipos de Cristo, exceto pelo fato de Cristo fazer parte da raça judia que se defrontou com a extinção. Ressalta- -se a lição de que não importa quão ameaçador seja o adversário. Não há Hamã, Herodes ou Hitler que possa destruir a semente de Abraão a quem Deus prometeu abençoar. Pelo contrário, Deus tem sempre preservado o seu povo nas grandes perseguições, dando-lhe bênção ainda maior por intermédio de líderes por ele levantados: José e Moisés no Egito, Mordecai na Pérsia e Jesus na Galileia dos gentios. Desta maneira os três podem ser considerados tipos de Cristo, o definitivo Salvador do seu povo.

—– Retirado de: Stanley Ellisen – Conheça Melhor o Antigo Testamento.


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