OBJETIVO DO LIVRO DE RUTE
O objetivo desse livro parece ser duplo: 1) Retratar o ânimo religioso e o amor de duas mulheres de países diferentes numa época de rivalidade inter-racial, violência e idolatria. 2) Lembrar a relação genealógica de Davi com Moabe, talvez durante a estada do salmista com os seus pais moabitas. Incidentalmente mostra a linhagem marcadamente gentia na linha genealógica do Messias, vindo através de Raabe, a cananeia, e Rute, a moabita, pelo lado materno.
LIVRO QUE HONRA AS MULHERES
Dois livros do Antigo Testamento têm nome de mulher: Rute, no início da história de Israel em Canaã, e Ester, no término da história de Israel do Antigo Testamento. Rute foi uma das mulheres mais preeminentes no período inicial dos juizes. Outras foram Débora, Jael — uma mulher anônima que assassinou Abimeleque, o rei usurpador — a filha de Jefté e a mãe de Sansão. No livro de Rute, a simpatia de Noemi em difíceis provações traz sua nora para o Deus de Israel. O amor de Rute transcende laços raciais, e as duas virtuosas mulheres cumprem a lei dos judeus. Assim fazendo, contribuem para o nascimento de Davi, o grande rei e salmista. Samuel — cuja mãe, Ana, foi muito piedosa — achou que o relato da vida de duas nobres mulheres merecia um lugar na história de Israel, juntamente com todas as histórias de grandes homens israelitas.
FÉ GENTIA NO ANTIGO TESTAMENTO (1:16)
A declaração de fé realizada por Rute é um clássico do Antigo Testamento: “O teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.” Embora não seja a primeira conversão de gentios registrada no Antigo Testamento, a conversão de Rute é a mais detalhada e famosa. Apresenta também um contraste interessante com a conversão de sua segunda sogra, Raabe. Enquanto a de Raabe é apresentada como uma reação ao medo do julgamento que viria, a de Rute é uma reação ao amor (Josué 2:9-13; Rute 1:16). O Senhor usa tanto o amor como o medo para ativar a fé no Antigo e Novo Testamentos.
LIGAÇÃO DE MOABE COM DAVI E O MESSIAS (4:18-22)
Embora os moabitas fossem descendentes de Ló e sua filha (por incesto) e fossem, portanto, primos de Israel, foi-lhes negada entrada na congregação israelita “até a décima geração” em virtude da sua hostilidade para com os judeus quando eles saíram do Egito (Deuteronômio 23:3-6). Por que, então, Rute foi bem recebida por Israel dentro de duas ou três gerações? Evidentemente aquela lei aplicava-se aos homens moabitas e não às mulheres, de modo semelhante ao regulamento registrado em Deuteronômio 21:10-13 acerca da mulher prisioneira recebida como esposa. Essa conexão moabita enfatiza que, embora a linhagem de Davi e do Messias fosse formada apenas de hebreus pelo lado paterno, ela incluiu muitas mulheres gentias. Tamar e Raabe eram cananéias, Rute moabita e Naamá, mãe de Roboão, amonita. O Messias realmente veio de extensa gama de nacionalidades pela sua linhagem materna.
RUTE: MEDITAÇÃO DE ISRAEL PARA O PENTECOSTE
Esse livro era lido anualmente pela nação, em público, quando se reuniam para a festa de verão do Pentecoste. A colheita lembrava-os da colheita anterior de cevada dada por Deus e da recompensa do culto de amor que ainda viria. Do mesmo modo que o Pentecoste comemorava a primeira safra, a leitura de Rute recordava a colheita das primícias dos gentios. Lembramos, também, que o Pentecoste do Novo Testamento comemora as primícias da colheita divina na Igreja, sendo gentios muitos desses novos crentes.
CRISTOLOGIA EM RUTE
Há duas referências básicas a Cristo no livro de Rute, ambas relativas a Boaz:
a. Deduz-se que Boaz seja um tipo de Cristo como um parente redentor, qualificado e disposto a redimir o seu povo. E esse um aspecto da obra de Cristo, ilustrado aqui e em nenhum outro lugar da Bíblia (embora Jeremias 32:6-25 use-o para outro objetivo). A expressão “resgatar” é usada seis vezes em Rute. Como Redentor do crente, Cristo torna-se o seu Redentor para pagar todas as suas dívidas, seu Vingador para de- fendê-lo de todos os adversários, seu Mediador para conseguir reconciliação, e seu Noivo para união e comunhão perpétua.
b. O nome de Boaz está registrado em todas as genealogias de Jesus (V. a Introdução), mas somente em Mateus 1:5 Rute também é mencionada. Nesta genealogia Mateus menciona de propósito o nome de Rute e de três outras mulheres estrangeiras. O ponto cristológico parece ter o objetivo de enfatizar a ampla genealogia internacional do Messias que viria trazer salvação para todas as nações. Ele não veio como um simples “Salvador” local.
—– Retirado de: Stanley Ellisen – Conheça Melhor o Antigo Testamento.
Leia mais conteúdo desse livro nos links abaixo:
- • Introdução ao Pentateuco
- • Calendário Hebraico e Cálculo do Tempo
- • Estrutura Cronológica do Antigo Testamento
• A Autoria do Livro de Gênesis - • Antevisão de Cristo em Êxodo
- • Tipos de Cristo em Levítico
- • Tipos de Cristo em Números
- • Profecia Messiânica em Deuteronômio
- • Encontrando Jesus no livro de Josué
- • Cristo no livro dos Juízes
- • Cristologia no Livro de Rute
- • Cristologia nos Livros de Samuel
- • Cristologia nos Livros dos Reis
- • Cristologia nos Livros das Crônicas
- • Cristo nos livros de Esdras e Neemias
- • Cristologia no Livro de Ester
- • Cristologia no Livro de Jó
- • Cristo nos Salmos
- • Cristo nos Provérbios
- • Cristologia em Eclesiastes
- • Cristologia em Cantares de Salomão
- • Os Profetas de Israel
- • A Cristologia do Profeta Isaías
- • A Cristologia do Profeta Jeremias
- • Cristologia em Lamentações
- • Cristologia no Profeta Ezequiel
- • Cristologia no Profeta Daniel
- • Cristologia em Oseias
- • Cristologia em Joel
- • Cristologia em Amós
- • Cristologia em Jonas
- • Cristologia em Miquéias
- • Cristologia em Naum
- • Cristologia em Habacuque
- • Cristologia em Sofonias
- • Cristologia em Ageu
- • Cristologia em Zacarias
- • Cristologia em Malaquias
Pingback:Cristo nos livros de Esdras e Neemias – Editora Mente Cristã