OBJETIVO DO LIVRO DE JEREMIAS
O objetivo dessa longa profecia (maior que a do próprio Isaías) foi registrar as admoestações de undécima hora do Senhor ao país que se precipitava em desastre espiritual e destruição nacional. O livro registra não apenas a rejeição da lei divina, como também a recusa inflexível da correção dos profetas de Deus. Ao contrário do apelo de Isaías para que confiassem na libertação do Senhor, a mensagem de Jeremias era que a nação deveria submeter-se ao julgamento do Senhor aceitando o cativeiro da Babilônia, para que assim a cidade e a nação fossem salvas da destruição total. O livro demonstra como esse solitário clamor da noite foi quase totalmente desatendido. O seu tema bem poderia ter sido Provérbios 29:1: “O homem, que muitas vezes repreendido endurece a cerviz, será quebrantado de repente sem que haja cura.”
O PLANGENTE PROFETA (9:1)
Jeremias acompanha Isaías como um prenúncio do “homem de dores” profetizado em Isaías 53:3. De fato, Jeremias viu a si próprio “como manso cordeiro, que é levado ao matadouro” (11:19). Embora muitos profetas tenham apresentado mensagens de julgamento, nenhum o fez com tanto sentimento pessoal e com tanta lamentação quanto Jeremias. Suas palavras em 9:1 dão uma descrição clássica do seu envolvimento pessoal: “Oxalá a minha cabeça se tornasse em águas, e os meus olhos em fonte de lágrimas! Então choraria de dia e de noite…”. Jesus, do mesmo modo, chorou sobre Jerusalém quando falou da segunda destruição da cidade (Lucas 19:41).
O PROFETA TRAIDOR (26:9 e ss.)
Ironicamente Jeremias foi considerado traidor da sua nação devido à sua insistência na rendição à Babilônia. Essa atitude é um contraste notável com a pregação de Isaías que se debatia por uma leal resistência ao inimigo, confiando no Deus da vitória. Jeremias profetizou durante o mais negro período da história de Israel, quando toda a esperança de sobrevivência do país estava perdida. Judá tinha “atravessado o Rubicão” (em virtude dos pecados de Manassés) e a rendição à Babilônia foi a única alternativa do Senhor para evitar a completa destruição de Jerusalém. Depois de essas profecias condenatórias serem cumpridas, entretanto, Jeremias passou a ser lembrado com grande respeito pelos judeus exilados na Babilônia. Suas profecias com referência ao retorno depois de setenta anos de cativeiro babilônio eram lembradas com muita simpatia (25:11; 29:10).
JEREMIAS E SUA MENSAGEM DE ESPERANÇA
Entre suas profecias condenatórias, Jeremias também tinha a gloriosa mensagem de esperança para a nação. Essa nota otimista aparece em quatro breves textos, em quatro capítulos posteriores (3:16-18; 12:14- 15; 23:3-8; e 30-33). Tais referências relacionam-se com as alianças entre o Senhor e os antepassados de Israel, as quais garantiram a continuação da casa de Jacó e da linhagem real de Davi (33:26). Mesmo numa época em que já não havia justiça no país, em que a aliança do favor divino se partira e um grande poder pagão estava prestes a devorar o povo, o Senhor assegurou que suas alianças eram tão invioláveis quanto o fato natural de o dia seguir a noite (31:36-37; 33:20-26). Nenhuma geração de peca- dores pôde induzi-lo a modificar suas promessas para com os antepassados. Em tempo algum da história de Israel essas reafirmações foram mais importantes no sentido teológico.
A NOVA ALIANÇA (31:31-34)
Além das alianças incondicionais feitas com os antepassados, Jeremias anunciou que uma nova aliança seria estabelecida para substituir a mosaica, realizada no Sinai (31:32). Tendo desfeito e desprezado essa aliança, estavam eles prestes a ser expulsos da terra Prometida (11:3-10). Aquele pacto era um acordo condicional que lhes dava o privilégio de usar a terra. Porém, seria um dia substituído por uma nova aliança, a ser firmada “com a casa de Israel e com a casa de Ju d á” (31:31). Não foi revelado o conteúdo dessa nova aliança, mas deverá ser realizada com o fiel restante da nação, que conheça e tema ao Senhor (31:34). Sua natureza será o guia interior para o coração, não havendo necessidade de um código legal externo ou escrito. O autor de Hebreus 8:7-13 e 10:16-17 refere-se a essa promessa para demonstrar que a aliança de Moisés foi apenas temporária, acabando na cruz (Hebreus 7:12), e que seria substituída por uma aliança nova e permanente, de favor divino, que também seria firmada “com a casa de Israel e com a casa de Ju d á”. O contexto de Jeremias 31:31 mostra como essa nova aliança também se relaciona com a volta do povo da aliança à terra da Promessa, do mesmo modo que a violação da aliança mosaica relacionou-se com a sua expulsão.
CRISTOLOGIA EM JEREMIAS
O livro de Jeremias é o menos messiânico entre os Profetas Maiores. Somente dois textos falam diretamente do Messias: 23:5-6 e 33:14-17. Ambos referem-se ao Messias como o “Renovo de justiça” que reinará no trono de Davi e executará julgamento e justiça na terra. Ambos enfatizam a “justiça” do seu povo e do seu reino, num contraste perfeito com o povo e os líderes a quem Jeremias ministrava. No capítulo 23 está escrito que o seu nome será “Senhor Justiça Nossa” e no capítulo 33, que Jerusalém “será chamada: Senhor, Justiça Nossa”. A sua justiça será a justiça do povo.
—– Retirado de: Stanley Ellisen – Conheça Melhor o Antigo Testamento.
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- • Tipos de Cristo em Números
- • Profecia Messiânica em Deuteronômio
- • Encontrando Jesus no livro de Josué
- • Cristo no livro dos Juízes
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- • Cristologia em Eclesiastes
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