OBJETIVO DO LIVRO DE LAMENTAÇÕES
O objetivo evidente desse “mar de soluços” era dar uma expressão literária ao grande pesar dos fiéis de Israel pela enorme perda do templo e sua cidade sagrada. As lamentações expressam a profundidade da solidão de Israel quando a Glória do Senhor afastou-se envergonhada. Outro objetivo foi registrar como o Senhor cumpriu completa e literalmente as suas admoestações sobre o julgamento da cidade e do santuário, devido ao povo ter persistido na idolatria e rebelião. O Livro de Lamentações confirma brilhantemente a soberania de Deus, reconhecendo-o como o perpetrador da devastação, e não apenas a Babilônia (2:17; 3:37-38). O luminoso raio de luz e esperança é que ele não é somente fiel no julgamento, mas também no cumprimento de suas promessas de benevolência. “Grande é a tua fidelidade” tanto no julgamento quanto na compaixão (3:22-23). As alianças também continham promessas de restauração divina pelo arrependimento.
FORTE ÊNFASE NO JULGAMENTO DIVINO
É com frequência que Lamentações atribui a destruição de Jerusalém à ira de Deus, e não à ira da Babilônia. Embora o Livro de Jeremias fale dessa nação 161 vezes, nem ela nem Nabucodonosor são mencionados em Lamentações. Essa ênfase no julgamento divino também realça o fato de que foram os seus pecados perante Deus que trouxeram a destruição, e não o infortúnio internacional de se tornarem vítimas da conquista da Babilônia. Do mesmo modo, a sua restauração depende inteiramente do arrependimento e da volta a Deus. As potências internacionais foram apenas o instrumento de Deus para cumprir o seu propósito para com o seu povo, conforme revelação desse livro.
“GRANDE É A TUA FIDELIDADE” (3:23)
Quase não se poderia esperar tal confiança num livro de julgamento e de desespero quase sem esperança de alívio. Essa expressão aparece, entretanto, no coração do Livro de Lamentações. A exclamação não é um grito jubilante de alegria vindo de uma experiência de grande bênção e prosperidade, mas uma reação ao grande julgamento e disciplina de Deus. Foi ao ver as cinzas carbonizadas do monumento israelita mais amado que o profeta exclamou: “As suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade” (3:22- 23). O seu objetivo era afirmar que Deus sempre cumpre a sua palavra, seja ao julgar o pecado, seja ao mostrar misericórdia em virtude de arrependimento ou fé. Em qualquer situação, os piedosos podem afirmar: “A minha porção é o Senhor” (3:24).
PROFETA EMPÁTICO
Admitindo que o autor seja Jeremias, nenhum outro profeta teve tal identidade de sentimentos com o povo ou fez parte tão intimamente dos seus pesares e julgamento. Durante quase cinquenta anos, Jeremias ficou com a nação recalcitrante enquanto ela passava por suas mais profundas provações. Ele aconselhou-a do centro do redemoinho depravado. Ao invés de obter o respeito do povo, foi humilhado, denunciado, preso num calabouço e rotulado de traidor. Suportou depois o cerco e a fome; presenciou a entrada ruidosa do inimigo, a pilhagem, o massacre e o incêndio do templo e da cidade. Levado a Ramá (ao norte de Jerusalém), foi libertado das correntes para testemunhar mais tarde a matança da maioria dos habitantes de Jerusalém e a partida das 4600 pessoas acorrentadas para a Babilônia. Preferiu ficar em Mispa com Gedalias, o governador nomeado. Sofreu ainda, porém, a provação do assassínio de Gedalias na rebelião de Ismael e Joanã, e foi levado para o Egito, onde o ultrajaram outra vez (Jeremias 41-44). Dizem que ele foi ali apedrejado pelo se próprio povo por condenar sua ininterrupta idolatria e impenitência. Poucos profetas tiveram mais motivos de pesar do que Jeremias, conforme ele expressa em Lamentações 3:48-49.
CRISTO EM LAMENTAÇÕES
A única característica cristológica desse livro é o fato de ele prenunciar Cristo chorando por Jerusalém ao predizer sua destruição próxima (Lucas 19:41-43). De muitas maneiras o Livro de Lamentações também reflete o desgosto e o pesar de Deus pelo povo da aliança na hora do seu mais profundo desespero. De conformidade com o que está em Isaías 63:9: “Em toda a angústia deles foi ele angustiado, e o Anjo da sua presença os salvou”. Isaías e João afirmam que é Deus ou Cristo que “enxugará” as lágrimas de lamentação de todos os olhos (Isaías 25:8; Apocalipse 7:17; 21:4).
—– Retirado de: Stanley Ellisen – Conheça Melhor o Antigo Testamento.
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