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Cristo nos Provérbios

LITERATU RA DE SABEDORIA

Para introdução a essa literatura, ver “Introdução aos Livros de Sabedoria”. Esse tipo de literatura era comum na maioria das nações antigas, como a Babilônia, o Egito, Edom e a Fenícia. Todas tinham os seus “homens sábios”. O homem sábio de Israel, Salomão, foi o mais sábio de todos, conforme reconhecimento da Rainha de Sabá (1 Reis 4:34; 10:6-7), e pessoas de todas as nações vinham abeberar-se nos seus ensinos. Diz-se que Salomão proferiu 3000 provérbios em muitos campos de ciência, muito mais do que os 800 incluídos no Livro de Provérbios.

CENÁRIO RELIGIOSO

Os nomes de Salomão e Ezequias, como compiladores, sugerem que os provérbios surgiram em época de reavivamento e interesse espiritual. O início do reinado de Salomão foi caracterizado pela dedicação espiritual e os dias de Ezequias por uma época de novo despertamento religioso em Judá depois de grande idolatria. Os provérbios não eram apenas reflexões práticas para fruir boa vida, mas sabedoria para viver no “temor do Senhor”. Os termos “justo” e “justiça” são usados mais de quarenta vezes no livro de Provérbios, mais do que em qualquer outro livro, com exceção de Salmos. É possível que Ezequias tenha enfatizado para o povo o seguinte provérbio: “A justiça exalta as nações, mas o pecado é o opróbrio dos povos” (14:34).

CONTRASTE ENTRE PROVÉRBIOS E SALMOS

Enquanto Salmos trata do culto e do relacionamento do homem com Deus, Provérbios trata do seu procedimento e comunicação com os outros homens. Enquanto Salmos antes de tudo é dirigido a Deus, Provérbios é dirigido aos filhos dos homens. Ele é singularmente o livro ético do Antigo Testamento, aplicando princípios bíblicos de uma vida íntegra. Ensina aos que serão sábios que as suas ações devem ser dirigidas tanto pela palavra divina escrita na Lei como pela palavra espiritual de Deus que ressoa na consciência ativa, e é vista como “a lâmpada do Senhor” (20:27). O movimento progressivo de Salmos para Provérbios, conforme organização do cânon, sugere a ordem correta de uma vida piedosa — o relacionamento adequado com Deus vem sempre em primeiro lugar, enquanto o relacionamento adequado com os homens deve sempre vir em seguida. Um é inerente ao outro.

CRISTOLOGIA EM PROVÉRBIOS

Em Provérbios, as referências a Cristo relacionam-se principalmente à caracterização da “sabedoria” no capítulo 8. Mas esse texto faz referência a Cristo apenas de modo indireto. O objetivo do livro é apresentar a sabedoria e seus grandes benefícios, apresentação que chega ao seu ponto mais alto nos capítulos 8-9, onde os benefícios são sintetizados. Em monólogo dramático, a “sabedoria” declara a sua associação eterna com o Senhor, especialmente na obra da criação. Esse discurso não é basicamente cristológico, mas demonstra que a sabedoria exaltada no livro é a mesma pela qual Deus age. Adquirir e aplicar essa sabedoria pode preparar uma pessoa para ser usada por Deus em grandiosa obra. O Novo Testamento lembra-nos, porém, que Cristo é a “sabedoria de Deus” (1 Coríntios 1:24, 30; Colossenses 2:3) e aquele “em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” estão ocultos. Muitas das caracterizações da sabedoria em Provérbios 8:22-31 têm extraordinárias semelhanças cristológicas.

—– Retirado de: Stanley Ellisen – Conheça Melhor o Antigo Testamento.


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1 Comentário

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