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Cristologia em Eclesiastes

OBJETIVO DO LIVRO DE ECLESIASTES

O objetivo do escritor foi demonstrar, científica e filosoficamente, a futilidade da vida sem Deus, e mostrar a satisfação e a alegria de viver na percepção da soberania divina. O livro é uma exposição dramática das arrogantes reivindicações do naturalismo.

CONTRASTE COM PROVÉRBIOS

Enquanto Provérbios aplica a sabedoria no benefício prático de uma vida dirigida por Deus, Eclesiastes aplica a sabedoria no objetivo filosófico de entender o significado da vida. Aqui Salomão focaliza a existência no seu todo, e não nas suas particularidades. Seu interesse é mais pelo significado dela do que pelos seus problemas. Como um filósofo, ele se põe de lado para indagar o “porquê” da vida. Sem uma resposta adequada ao “por quê?”, as perguntas que, como e quando são um tanto inexpressivas. Eclesiastes é o primeiro livro da Bíblia a fazer uma pausa e refletir filosoficamente no significado da própria vida à luz das aparentes futilidades defrontadas por todos. Deus contemplou Salomão com uma especial sabedoria divina para essa tarefa.

NATURALISMO REJEITADO

Nenhum outro livro da Bíblia é mais específico na rejeição do naturalismo ou eficácia da mera sabedoria humana para interpretar a vida do que Eclesiastes. O termo “debaixo do sol” (usado vinte e nove vezes) refere-se ao ponto de vista do homem natural que não considera a revelação divina. Em cores brilhantes, o autor expõe a futilidade de uma filosofia de vida apenas baseada na sabedoria natural, e mostra como, mesmo em alto grau, a sabedoria, riquezas e prazeres da vida resultam em total desilusão se procurados como um fim em si mesmos. Ele compara essa busca como “correr atrás do vento” (1:14, 17). Sua última advertência é acautelar-se com a concepção naturalista dos muitos persuasivos livros (12:12). Ao lê-los, é essencial estar firme nas “palavras de verdade” (12:10-11).

ALEGRIA DE VIVER

Eclesiastes tem sido considerado, muitas vezes, como o “mais lúgubre livro da Bíblia” por apresentar um frequente grito de desespero. Na realidade, é exatamente o contrário. Ele é o livro do Antigo Testamento que mais apresenta conselhos para que homens e mulheres tenham prazer na vida. Quem tiver uma divina perspectiva de vida é chamado a regozijar- -se em todos os seus aspectos.

ESTRANHOS TRAÇOS AGNÓSTICOS (2.14-16, 3:19-20, 9.2, etc.)

Nenhum outro livro da Bíblia tem sido tão contestado quanto à divina inspiração como Eclesiastes, principalmente devido às suas afirmações aparentemente agnósticas. Parece apresentar o mesmo destino para homens e animais, justos e injustos. Isso decorre em virtude de uma falha em alcançar o objetivo do livro. É um sermão com texto, introdução, tese, elaboração, ilustração, conclusão e aplicação, e precisa ser interpretado aos poucos. Seu método é dialético. São apresentados dois pontos de vista com negações e afirmações sucessivas em todo o livro. O ponto de vista do naturalismo (“debaixo do sol”) é abertamente afirmado à medida que as diversas experiências são executadas, declarando a total futilidade da vida naquela perspectiva. O autor tem um objetivo em vista ao levar- -nos pelo labirinto dos enigmas da vida, ajudando-nos a discernir o seu verdadeiro propósito. Afirmar as conclusões pessimistas do naturalismo é essencial para a ênfase da conclusão final do autor de que o verdadeiro significado da vida só pode ser percebido quando a pessoa teme a Deus e guarda os seus mandamentos.

ÊNFASE DA ETERNIDADE E JULGAMENTO (3:11, 17; 11:9; 12:14)

Eclesiastes é um dos poucos livros do Antigo Testamento que enfatizam a eternidade e o julgamento depois da morte. O Pregador declara que Deus tem “posto eternidade nos seus corações”, e que vão “à casa eterna” (12:5). Enfatiza que os “dias de trevas” serão muitos. Portanto, a vida deve ser aproveitada ao máximo como uma dádiva divina, mas sempre reconhecendo que “Deus há de trazer a juízo todas as obras”. Os homens não são como os animais. Foram criados para a eternidade e são obrigados a preparar-se para o lar eterno enquanto estão nesta vida, antes que “o pó volte à terra…e o espírito volte a Deus” (12:7).

PRIMEIRA MENÇÃO DE DEUS COMO “CRIADOR” (12:1)

“Lembra-te do teu Criador” é na Bíblia a primeira referência a Deus como Criador (Isaías 40:28; 43:15; Romanos 1:25; 1 Pedro 4:19). Ele é visto aqui não somente como Criador do universo, mas também como o Criador das pessoas redimidas e justas. A exortação é deixar que Deus continue sua obra criativa em nossos corações e vidas, e permitir que ele principie a obra cedo. Essa necessidade de principiar cedo é dramatizada pelo ancião, que é comparado a uma velha casa dilapidada, mostrando como o processo de envelhecimento torna mais e mais difícil realizar uma mudança. Essa precisa ser feita “antes que se rompa o fio de prata” (12:6). O trecho do Novo Testamento paralelo a esse é 1 Pedro 4:19, onde Deus é descrito como o “fiel Criador”, que usa até a adversidade para executar sua obra criativa na alma.

FORTE REIVINDICAÇÃO DE INSPIRAÇÃO E CERTEZA (12:10-12)

Embora o livro tenha sido grandemente atacado e contestado quanto à sua inspiração divina, conclui com uma das afirmações mais veementes de verdade do “Pastor” encontradas na Bíblia. Talvez o sábio Pregador tenha feito tal afirmação por prever forte oposição à sua análise do naturalismo humanístico. Para dominar essas verdades, declarou ele, é preciso muita firmeza, tanto ao enfrentar os enigmas da vida como os desafios do racionalismo. 9

CRISTOLOGIA EM ECLESIASTES

Apesar de não haver nesse livro predição messiânica ou antítipos, podem-se notar algumas referências indiretas. A mensagem é designada “palavras de verdade” dadas pelo “único Pastor” (12:10-11). Disse Cristo ser ele “a verdade” (João 14:6), “o bom pastor” (João 10:11) e “maior do que Salomão” (Lucas 11:31), e que vinha para revelar o verdadeiro significado da vida. Do mesmo modo que Salomão passou pela experiência daquelas muitas futilidades para que compartilhássemos vicariamente as suas conclusões sem ter experimentado todas elas, Cristo também passou por um número muito maior de experiências, até de ser desamparado por Deus, para que pudéssemos vicariamente compartilhar os benefícios da sua sabedoria e obra redentora.

—– Retirado de: Stanley Ellisen – Conheça Melhor o Antigo Testamento.


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