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Por que precisamos conhecer o Evangelho?

1 CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DO EVANGELHO PARA A EVANGELIZAÇÃO

Não podemos jamais anunciar o Evangelho e não convidar os ouvintes ao arrependimento e à fé em Cristo. Alguns têm dificuldades em como anunciar o Evangelho verdadeiro, pois são influenciados por uma cultura corrompida que busca algo politicamente correto ao invés de dizer a verdade como ela é.

1.1 A Realidade Natural Do Homem

Cada pessoa precisa saber qual sua situação. A condição de todos os ouvintes é de perdição. Não há outro meio para que se alcance a salvação senão por meio da exposição do Evangelho; e que seja uma exposição fiel, para que não haja convicções em algo que não é verdadeiro.

Estamos perdidos e, por essa razão, precisamos de Cristo. Anunciar o Evangelho não se resume a dizer que “Cristo morreu por você” – na verdade essa expressão sequer é encontrada em qualquer situação de evangelismo na Bíblia. O que aprendemos com as escrituras é anunciar que todos se arrependam e confiem em Cristo de todo coração. Dizer que Cristo morreu por alguém não é sábio; afinal, o ensino bíblico é de que Cristo apagou/cancelou os pecados dos eleitos de Deus; não sabemos quem são os eleitos, mas sabemos que devemos anunciar o Evangelho a todos.

1.2 O Chamado Evangelístico

O chamado ao arrependimento é universal. O que podemos dizer, e que é verdadeiro, é que Cristo morreu por pecadores e seu ouvinte também é pecador. Se, de fato, o ouvinte se arrepender e crer em Cristo, poderá ter a certeza de que Cristo morreu por ele.

Mas o problema nem chega a ser nesse ponto. Há uma mudança muito grande na pregação do Evangelho pela maioria dos cristãos. Um dia você prega uma coisa, noutro dia, outro cristão prega algo diferente. Afinal, há mais de um Evangelho? De modo nenhum! Qualquer evangelho diferente daquele que é apresentado nas escrituras deve ser rejeitado.

1.3 Sobre a mensagem do Evangelho

O objetivo do Evangelho é anunciar que há salvação por meio da Fé em Cristo somente. Quando proclamamos o Evangelho, dizemos que é necessário se arrepender dos pecados e crer em Cristo; isso é básico, trivial até. Mas quais as consequências de anunciar um falso evangelho que não apresente nenhum desses dois pontos?

Se você anuncia o Evangelho afirmando que Cristo morreu pelos pecados de todos os homens, mas que agora o homem precisa se arrepender e crer para que isso se torne real ou eficaz, você não compreendeu o Evangelho de Cristo. Não se trata de uma Redenção que não redime; mas de uma Redenção que redime. Quero dizer que a obra de Cristo foi consumada e que todo o propósito de sua obra não foi nem será frustrado, muito menos pelo homem. Cristo de fato salvou!

1.3.1 A fé e o arrependimento são inseparáveis

É possível apenas crer em Cristo, entretanto não se arrepender dos pecados? Pensando na salvação como uma obra que é aplicada pelo Espírito Santo, que cria uma nova disposição à natureza do homem para que este, naturalmente, aja de acordo com sua nova natureza e, portanto, responda positivamente ao chamado do Evangelho, convencendo-o de sua condição pecaminosa e trazendo-o para os braços de Cristo, parece que não é possível crer e não se arrepender – a obra é completa e não parcial.

1.3.2 A necessidade de convicção na mensagem do Evangelho para a pregação

Agora, considere a seguinte situação: Você anuncia o Evangelho aos perdidos, mas você mesmo não tem a convicção de que a obra de Cristo é suficiente ou eficaz para garantir que alguém seja salvo; em outros termos, você acredita que parte da salvação deve ser atribuída à decisão humana. Esse é um problema bem antigo. Precisamos reconsiderar como o homem pode ser salvo.

1.4 A corrupção da natureza humana e o novo nascimento

1.4.1 A regeneração é necessária para que haja arrependimento e fé

Primeiro, precisamos entender qual a origem dessa Fé, por meio da qual podemos ser declarados justos. Nossa natureza não pode produzir algo bom a partir dela mesma; é uma natureza corrompida, caída, inclinada para o que é mau (a inclinação da carne é inimizade contra Deus; veja Romanos 8:6,7). O ensino de Cristo é que é necessário que o homem seja novamente gerado (João 3). Essa vivificação, nova vida, gerada tão somente pelo Espírito Santo é que faz os crentes serem novas criaturas. É necessário que a inclinação para o mal seja vencida e isso somente o Espírito Santo pode fazer. O Espírito Santo dá uma nova natureza e a partir daí o homem age conforme sua nova natureza. É dito também que se alguém não nascer de novo não pode ver o reino de Deus. Ora, se o novo nascimento é requisito para se ver o reino de Deus e esta obra é do Espírito Santo, o que pode o homem fazer por sua salvação? Podemos afirmar que o princípio de um abandono do pecado ou conversão é atribuído à graça divina; somente o Senhor pode converter o homem (Jeremias 31:18). A Fé, portanto, não pode ser obra humana. Para que o homem responda positivamente (crendo) ao Evangelho, é necessário que Deus não apenas comece, mas realize toda a obra; pois somente pela obra da graça de Deus que o homem poderá fazer o bem que Deus quer. É Deus quem dá um novo coração e põe seu Espírito em nós; à parte disso não há salvação. Na verdade, o homem só é declarado justo diante de Deus por causa da justiça de Cristo que é imputada a ele por meio da Fé – a própria Fé não pode justificar, mas a justiça de Cristo aplicada por meio deste instrumento – a Fé – é que declara o homem justo.

1.4.2 A compreensão da mensagem depende da revelação divina

Segundo, o homem natural não compreende as coisas de Deus; é necessário que o próprio Deus se revele ao homem e conceda Fé para que o homem creia. A mensagem do Evangelho não é irracional; é algo sobre o que se pode pensar a respeito, que pode ser compreendido. O homem natural, entretanto, não compreende o Evangelho o suficiente para que creia na mensagem – a ponto de confiar em Cristo, mas pode entender alguns de seus aspectos. Entretanto, se você resumir o Evangelho a uma mera mensagem de sentimentalismo, apelando para que a pessoa acredite porque foi um lindo gesto de amor na cruz, pode levar seu ouvinte a jamais conhecer o Evangelho como ele é. É claro que a obra de Cristo foi uma linda demonstração de amor, especialmente de amor à justiça e santidade de Deus. Talvez você ainda pense que, à parte da graça de Deus, o homem tenha capacidade de responder ao chamado evangelístico, mas vale lembrar mais uma vez que o homem natural (aquele que não nasceu do Espírito) está inclinado para o que é mau; é escravo de sua vontade pecaminosa. O homem não regenerado jamais se inclinará para Deus de modo que coopere de alguma forma para sua salvação. Se o Senhor não iluminar o entendimento, tudo continuará em trevas.

1.4.3 A obra de Cristo assegura a redenção

E finalmente, a salvação não é decorrente de qualquer esforço do homem. Com muita frequência afirmamos que a salvação é pela graça, mas é comum confundir salvação pela graça e legalismo – que seria um tipo de salvação assegurada pela graça de Deus, porque de fato não merecemos, entretanto, dependente daquilo que o homem faz ou deixa de fazer. Precisamos entender que salvação pela graça é salvação de fato; o homem não pode se “des-salvar”.

Nós, mesmo que tenhamos sido gerados de novo pelo Espírito e compreendido a mensagem do evangelho e crido nela, continuamos pecando. A obra do Espírito em nós, aplicando a obra da salvação, nos liberta do poder do pecado; o pecado já não nos domina mais, porém não alcançamos a perfeição – ainda não fomos transformados ou glorificados. Na verdade, uma das marcas do cristão regenerado é a luta constante contra o pecado. Talvez você tenha duvidas sobre sua salvação por continuar sempre em conflito contra o pecado; o apóstolo Paulo descreve essa guerra no capítulo 7 de sua carta aos Romanos, comprovando a nossa imperfeição em sermos obedientes ao Senhor, entretanto, lutando diariamente contra os desejos da carne. Ora, se a salvação depende, ainda que em parte, da nossa santidade, certamente pereceríamos – afinal, quem de nós deixou de pecar?

A salvação é totalmente dependente da obra de Jesus Cristo. O que o nosso Senhor e Salvador realizou é o que nos garante a salvação. Ele foi obediente até a morte, tornou-se maldição em nosso lugar – pois sofreu a maldição da Lei que deveria vir sobre nós -, suportou a ira divina e ao terceiro dia ressuscitou – venceu a morte. Mesmo após termos nascido de novo, nenhum de nós conseguiria alcançar a salvação por meio da obediência à Lei de Deus – pois ainda pecamos. A boa notícia – o Evangelho – é que não depende de nós, mas que há salvação para nós, pecadores, porque Cristo fez o que jamais conseguiríamos fazer: alcançou o perdão de Deus por nossos pecados.

– Felipe Moura


 

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