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Seu Sangue Purifica de Todo Pecado!

A igreja brasileira está inserida numa sociedade em decadência. A igreja é uma contracultura dentro de uma cultura decadente, em decomposição; uma sociedade que não tem princípios; uma sociedade que não é regida pela verdade de Deus. E essa era exatamente a realidade da igreja de Corinto.

Em Corinto havia um dos principais templos do culto grego, Afrodite, a deusa do sexo, com cerca de 10.000 prostitutas cultuais, que prestavam culto através da prostituição. O ambiente era de promiscuidade, lascívia, e todo tipo de imoralidade sexual. Lá também ficava a maior estátua de Apolo, que era um monumento ao corpo masculino, sugestionando a prática homossexual – não foi à toa que Paulo diz no capítulo seguinte que os efeminados não herdariam o reino de Deus. É provável que muitos irmãos antes da conversão estivessem perdidos nessa prática.

Infelizmente, a igreja de Corinto não vigiou e deixou que o problema que os rodeava também atingisse o seio da igreja. Paulo denuncia uma situação tão deplorável e repugnante que nem mesmo aos coríntios era comum: um homem que estava tendo relações sexuais com sua madrasta. O alerta de Paulo à igreja foi duro e seco! Muitos crentes hoje preferem até mesmo ficar com suas próprias opiniões sentimentais a favor do pecado do que realmente amar o corpo de Cristo e compreender quão danoso é a todos quando a perversidade é tratada com gentileza.

“E já condenei aquele que fez isso, como se estivesse presente. Quando vocês estiverem reunidos em nome de nosso Senhor Jesus […] entreguem esse homem a Satanás, para que o corpo seja destruído, e seu espírito seja salvo no dia do Senhor (1Co 5:3-5).

Obviamente, não bastaria o erro ser apontado à distância. A própria igreja era responsável por aquilo e os irmãos deviam agir rapidamente. Se a igreja não agisse, aquilo se alastraria. É aí que entra uma das frase famosas do apóstolos:

“O orgulho de vocês não é bom. Vocês não sabem que um pouco de fermento faz toda a massa ficar fermentada? Livrem-se do fermento velho, para que sejam massa nova e sem fermento, como realmente são. Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado” (1Co 5:6,7).

A igreja precisa tratar o pecado! A disciplina precisa ser feita em nome de Deus, no poder de Jesus e com a participação de toda igreja. A disciplina é um ato seríssimo e de extrema importância. Hoje vemos muitos evangélicos mal criados, prepotentes, com pouco conhecimento de Deus e da história de Israel; parecem não entender sua condição de queda e que subsistem diante de Deus apenas por misericórdia – ou seja, por Deus não lhes dar o que eles merecem: sua ira!

Na Antiga Aliança, Deus lançava juízo sobre toda a nação quando parte dela se desviava. O juízo trazia sofrimento a todos, mas enquanto para alguns era punição, para outros era disciplina. Deus sempre usou de disciplina para demonstrar seu amor por seu povo e fazê-lo voltar para si, para afastá-lo do pecado e prepará-lo para coisas maiores. Vemos isso em toda Escritura. Esse era o espírito de Paulo, cheio de uma ira santa, mas em defesa da igreja. O nome de Deus estava sendo blasfemado e o Espírito Santo entristecido. Havia uma série de consequências; a igreja não podia mais ter parte com aquele homem; ele precisava ser excluído de imediato. É nesse contexto que surge a argumentação de Paulo que se tornou o maior manual bíblico sobre como tratar o pecado na igreja. Nessa ocasião ele usa alguns argumentos baseados na festa da páscoa. Vejamos como foi o raciocínio.

A igreja de Corinto tinha tanto judeus quanto gentios na sua membresia. Certamente, como o cristianismo era baseado no Antigo Testamento, os membros gentios já tinham aprendido a respeito dos costumes e festas judaicas e como tudo aquilo prefigurava a Cristo. Eles sabiam, por exemplo, que durante dez dias os israelitas tinham que comer pão sem fermento – por isso às vezes a festa da páscoa também é chamada de Festa dos Pães Asmos. No final dos dez dias, o povo imolava (sacrificava) um cordeiro que precisava ter um ano de idade e sem defeito, que era comido entre a família, com ervas amargas e os pães asmos.

Todo cristão sabia, aquilo era um símbolo do sacrifício do Messias que permitiu a libertação do povo de Israel da terra do Egito, prefigurando assim a nossa libertação, o nosso êxodo espiritual do reino do pecado e da morte – o reino de Satanás – para o reino glorioso do nosso Senhor e Salvador.

A páscoa estava cheia de significado redentor, e Paulo usa, então, essa figura para ilustrar a razão pela qual nós não podemos suportar o pecado e permitir que ele permaneça em nós sem que seja tratado. Paulo diz, assim, que o pecado é como o fermento (v.6). É interessante notar que a denúncia do apóstolo incluía que a igreja se gloriava em sua espiritualidade, como também vemos no capítulo 14 inteiro, onde vemos que o culto estava basicamente uma baderna, uma confusão, travestida de poder do Espírito, apenas servindo ao ego dos membros que não se preocupavam com a edificação da igreja em si, mas em “edificar a si mesmos”, como aponta o apóstolo.

Todo tipo de pecado funciona como fermento, se não tratado. Seja o orgulho, a avareza, o exibicionismo ou a imoralidade sexual. A igreja de Corinto não costumava trazer disciplina aos irmãos, por isso tudo estava tão contaminado, ainda que eles conhecessem o Evangelho. Eis o perigo de se acovardar e deixar cada um “em paz” com seu pecado! Algo muito semelhante à política moderna do “não julgueis” que ouvirmos de muitos crentes.

O poder que o fermento tem de contaminar é usado por Paulo para se referir ao poder que o pecado não tratado tem de corromper e se espalhar. Quando a igreja não se apressa a tratar pecados expostos, eles se alastram e corrompem não só a mente de quem os pratica, mas, pelo exemplo, corrompe a mente de terceiros, que são encorajados pela conivência de quem podia fazer algo e não faz. Isso é tão comum hoje que se alguém tenta repreender e corrigir um irmão, logo aparece alguém perguntando se essa pessoa é perfeita, se ela não tem pecados, como se um pecado invalidasse o outro. Ora, se houver pecado exposto de quem fez a correção, que haja correção desse pecado também, ao invés de se encobrir ambos os pecados!

Livrem-se do fermento velho, para que sejam massa nova e sem fermento, como realmente são. Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado (1Co 5:7).

Por que ele diz que os irmãos já eram sem fermento? A razão é que Cristo, o Cordeiro Pascal, já foi sacrificado não só para nos livrar da culpa, mas nos purificar do pecado. Cristo morreu pelos nossos pecados, mas Ele também morreu para nos livrar do poder do pecado, para que sejamos uma nova massa! Não faz sentido entender o que Cristo fez e continuar nos mesmos pecados de antes, ao invés de celebrar essa festa que é a vida cristã! Nós celebramos a nossa libertação. Celebramos a vitória do Cordeiro! Por isso ele diz:

“Por isso, celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da perversidade, mas com os pães sem fermento da sinceridade e da verdade” (1Co 5:8).

Celebremos, porque mais do que o Cordeiro já ter sido sacrificado, perdoando nossos pecados e nos livrando do seu poder, Ele ressuscitou dos mortos! Ser cristão é fazer parte da família mais alegre do mundo! Mas essa alegria não faz vistas grossas para a corrupção.

Outro argumento de Paulo é que existe lugar para separação, sim, no povo de Deus. A separação da imoralidade e seus propagadores, muito mais se esses estiverem dentro da igreja, participando do sangue e do corpo de Cristo! A pior comunhão para a igreja é com imorais que se dizem cristãos. É desses que devemos nos separar.

“… vocês não devem associar-se com pessoas imorais. Com isso não me refiro aos imorais deste mundo […] agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer (1Co 5:9-11).

Muitos são os casos em que pessoas excluídas do seio da igreja retornam tempos mais tarde com aqueles pecados já deixados para trás, superados. Por isso é que Paulo dá uma ordem para a igreja que é decisiva para a saúde e da comunhão dos irmãos:

“Como haveria eu de julgar os de fora da igreja? Não devem vocês julgar os que estão dentro?
Deus julgará os de fora. “Expulsem esse perverso do meio de vocês“‘ (1Co 5:12,13).

Pode parecer uma disciplina severa, mas não se lembrarmos do que foi dito antes: “para que o corpo seja destruído, e seu espírito seja salvo no dia do Senhor” (1Co 5:5)

O alvo de Paulo é que, mediante a repreensão e o arrependimento o pecador seja salvo no fim das contas. Se Cristo morreu por tal pessoa, mas ela se entregou ao pecado por falta de correção da parte dos irmãos, o amor de Deus será expresso por ela lá fora, e o Senhor certamente a tratará e a reconduzirá para comunhão, como tantas e tantas vezes fez com seu povo eleito.

Nós não podemos nos deixar levar pela cultura que nos cerca! A cultura parece estar sempre mudando, mas sempre foi a mesma coisa, uma tolerância tremenda ao pecado, seja qual for. O mundo aceita tudo, mas nosso padrão é outro. Nós devemos é nos lamentar pelos pecados dos outros e nos arrepender dos nossos, pois o nosso Salvador morreu para tirar de nós o velho fermento. O sangue do Cordeiro foi vertido para que a morte passasse por cima e não pudesse nos encontrar!

Paulo usa como pano de fundo a comunhão dos irmãos, ainda nessa mesma carta aos coríntios, para citar as palavras do nosso Senhor, ditas na comemoração da páscoa com os discípulos. Foi na páscoa que Jesus disse que a partir dali o povo santo não celebraria mais a libertação do Egito, mas cearia trazendo à memória seu corpo e sangue que foi entregue pela Igreja (1Co 11:23-26)

Todos aqueles que estão em Cristo têm o livramento da morte, a remissão dos pecados, a salvação eterna, vida abundante com Deus! Nenhum de nós é perfeito, mas há perdão onde há arrependimento. Que saibamos dessa verdade e possamos viver de acordo com o Evangelho de Cristo.

– Lucas Rosalem

— Este texto é a 6ª parte da Série A Páscoa & o Evangelho. Confira a série completa AQUI.


 


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A Páscoa da Igreja Exilada

somos peregrinos nesta terra

“Assim comeram a páscoa os filhos de Israel que tinham voltado do cativeiro” (Esdras 6).

Essa era uma páscoa diferente. A páscoa dos peregrinos! Algumas versões dizem “aqueles que voltaram do exílio”. Assim se repetia a sina do povo de Deus.

O Templo estava em Jerusalém. O que acontecera com Israel, o reino do norte, jamais poderia acontecer com Judá; as promessas de Deus pareciam assegurar que uma tragédia assim não lhes sobreviesse. Mas não foi assim.

Nabucodonosor arrasou Jerusalém, levou os tesouros, prendeu o povo, matou uma multidão. A morte dessa vez não passara alheia como no Egito, mas veio de encontro! Judá foi desconectado de sua cultura, de sua religião e de sua história; um momento onde muita humilhação havia foi experimentada, e ninguém saberia mais o que era a páscoa por muito tempo – a celebração que relembrava dos grandes atos do Senhor e o drama do livramento recebido no Egito fora impedida. A celebração deveria ser no lugar onde o Senhor havia escolhido, não em qualquer lugar. Com o povo estava cativo na Babilônia não havia o que fazer.

O sofrimento foi tamanho que o profeta Jeremias escreveu todo um livro com as suas Lamentações. Eles não tinham mais nada! Como consequência do pecado de Israel, a história agora os obrigara a, mais uma vez, se esquecerem do grande evento de salvação. Contudo, dessa vez. Nada podiam fazer para mudar o cenário dessa vez; mudança de postura não bastaria. Podiam apenas se lamentar. Deus, no entanto, não se esqueceu do seu povo e de suas promessas.

Na Babilônia não havia páscoa. Não havia esperança!

Talvez você pense que ir à igreja e cantar louvores a Deus seja difícil diante da situação em que você se encontra. Talvez seu espírito esteja abatido, angustiado e, por tudo que você passou, a liberdade em Cristo não pareça ser motivo suficiente para alegria. Mas imagine quantas orações o povo havia feito no cativeiro, sem poder celebrar, sem ter o que celebrar. Eles, no entanto, precisavam se lembrar da esperança. A fé deles, de algum modo, foi preservada e purificada assim.

Muitos anos à frente o novo imperador permitiu que templos fossem construídos e sacrifícios fossem feitos. Um gesto de libertação que havia sido profetizado por Jeremias (Ed 1:1-4). O povo então volta para Jerusalém e começa a reconstrução do Templo, mas as dores do exílio não passaram tão fácil assim.

Veja como Deus os preparou para levá-los novamente para si. Eles não apenas voltaram para sua terra, mas voltaram com uma finalidade: adorar a Deus livremente! E esse era um momento muito diferente. Eles eram poucos, estavam fracos e pobres. A nação perdera seu orgulho, pois perdera sua importância. Diante disso há uma comoção generalizada na construção do Templo. A Bíblia diz que eles louvavam enquanto faziam os fundamentos do Templo, dizendo “Ele é bom e o seu amor por Israel dura para sempre”. Havia aqueles que choravam, pois tinham visto a glória do primeiro Templo, mas havia também choro de júbilo (Ed 3:11-13).

Deus estava mostrando ao seu povo que só Ele poderia trazer livramento. Só Ele tinha interesse em preservá-los. Só Ele era justo e misericordioso. Só Ele tinha um plano para salvá-los, remi-los e ainda assim manifestar sua justiça contra o pecado. O plano todo de redenção ainda não havia sido revelado à humanidade, mas a páscoa os fazia relembrar do sangue derramado, do preço pago pela sua libertação. O preço de serem novamente conduzidos a Jerusalém havia sido pago na eternidade pelo Cordeiro de Deus. Todo a jornada de Israel era garantida e em direção ao sacrifício dos sacrifícios.

A dor do exílio ainda estava lá. Havia cicatrizes, marcas profundas, desgaste, prejuízo. Eles não eram os mesmos. Apesar disso, o povo estava feliz e reconhecia a grandeza da libertação! A festa foi pequena, mas foram sete dias de alegria! (Ed 6:22). Eles poderiam ter se revoltado ou desanimado, mas o povo de Deus não é assim. E não se cultua apenas quando tudo está bem. Eles agora podiam adorar no Santo Monte! Eles, na verdade, só tinham a adoração a Deus. Apenas o Templo e uma festa para celebrar. Apenas a liberdade e a memória. Trazendo para a nossa realidade, é como se eles alegrassem apenas dizendo “que bom que eu sou crente! Nada mais tenho, senão o Senhor da minha salvação! Ainda tenho fé. Eu posso adorar a Deus. Faço parte do povo escolhido, o povo de Cristo!”

Nós celebramos Jesus na páscoa, e o que Ele fez foi exatamente perder tudo que tinha. Esse é o caminho mais difícil: perder todas as coisas para depois retomá-las sem idolatria. O caminho é necessário e indispensável.

A nação havia passado, sem perceber, por uma circuncisão no coração. Eles estavam agora compreendendo que o bem deles não era a terra, mas o Deus da terra. Aliás, é isso que somos: peregrinos nesta Terra! Davi entendia isso quando adorou a Deus reconhecendo que só Ele era dono de tudo que há nos céus e na terra e que Israel era povo estrangeiro e forasteiro como seus antepassados. Ele disse ainda: “Os nossos dias na terra são como uma sombra, sem esperança” (1Cr 29:11-15).

Nós precisamos aprender que somos peregrinos! Precisamos entender que estamos em exílio e que esse é o motivo do anseio das nossas almas. Israel constantemente se esquecia disso e voltava ao exílio para relembrar. Eles precisavam aprender que ninguém tem uma terra. Ninguém tem uma cidade. Ninguém tem uma riqueza, um filho, uma mulher, uma carreira. Ninguém tem nada. Quem tem tudo é Deus – quem tem Deus tem tudo! O peregrino sabe que só Deus tem a terra, só Ele pode tirá-la e só Ele pode devolvê-la. O peregrino pode ter a terra, mas ele quer o Senhor!

Por isso nessa época eles eram chamados ainda de exilados, mesmo já tendo voltado para Jerusalém. Isso estava na alma judaica. O povo escolhido sempre estava sendo levado em direção a Jerusalém, não só literalmente, mas espiritualmente. Nós somos esse povo!

Veja como o apóstolo Pedro saudava a Igreja: “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos, peregrinos da dispersão…” (1Pe 1:1). Nós somos um povo sem terra. Um povo que é constantemente levado ao sofrimento, ao exílio, para aprender que é peregrino, mas filho do dono de toda a Terra!

Na ceia, nós celebramos o que Deus fez por nós através de Jesus. Mas Jesus disse também que não estaria presente fisicamente até aquele grande dia, no final, quando Ele voltaria e cearia conosco. Essa é a vida do cristão. Vivida entre um grande evento de salvação acontecido no passado, o qual constantemente relembramos, e a expectativa de um maior evento ainda que virá, a saber, a ressurreição final. Nós estamos ainda no meio do caminho; somos peregrinos.

Ainda que tudo esteja dando certo, nós ainda somos peregrinos. Não se assente em seu lugar imaginando que a vida está ganha e que a felicidade e a realização será encontrada no lugar onde você se está. Você está numa jornada, está trilhando em direção a Jerusalém. Muitas experiências ainda poderão lhe trazer saudade das glórias passadas. Peregrinar não é coisa simples! Mas vivemos na esperança de termos sido ressuscitados antes para sermos ressuscitados finalmente no Grande Dia!

É isso que significa celebrar a páscoa.

Repense suas alegrias. Repense suas motivações, seu anseio e até seu choro. O que importa não é a terra, mas o Deus da terra. Que a alegria que nós temos por termos o Senhor Jesus já seja suficiente para celebrar agora. Em seus problemas, Deus está te ensinando algo.

Não deixe que a páscoa seja apenas uma data, mas uma realidade!

– Lucas Rosalem

— Este texto é a 5ª parte da Série A Páscoa & o Evangelho. Confira a série completa AQUI.


 


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O Cordeiro que livrou a todos!

o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo - páscoa

A humanidade está em exílio! A descrição da história de Adão e Eva no Gênesis é a descrição do exílio de todo ser humano. Cada homem que já veio a existir esteve no estado de inquietação, em busca de um lugar onde sua alma pudesse se descansar.

Quando abrimos a Bíblia, especialmente em Gênesis, vemos inúmeras histórias e personagens. Pode ser difícil para alguns perceberem, mas tudo ali está conectado. Tudo o que acontece, cada ação ou ordem divina, tem um propósito glorioso! Todos os eventos são sombras de um único e fantástico evento universal: a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Cordeiro Pascal, que trouxe o livramento e a preservação de todos os eleitos de Deus!

Já com Adão e Eva houve, os primeiros humanos, houve necessidade de redenção. O casal quebrou sua ligação com Deus ao dar ouvidos à serpente, arruinando a situação da humanidade. Deus havia dito que a desobediência traria morte sobre eles, e agora nada poderiam fazer para da ira do Senhor. No entanto, Deus não queria que tudo se acabasse ali mesmo, ao passo que o pecado deveria ser punido de qualquer forma. Então, Ele mesmo providencia um sacrifício para cobrir a vergonha do casal (Gn 3.21). Houve livramento; a humanidade foi preservada pela misericórdia do Criador!

Deus, assim, revelou parte do que era necessário para que houvesse perdão justo dos pecados: uma morte substitutiva. Ele também prenunciou parte do Grande Plano ao casal, dizendo que a mulher daria luz a um descendente que esmagaria a cabeça da serpente (Gn 3:15). O casal certamente não poderia imaginar o que esse descendente fosse o próprio Filho de Deus e que a sua morte era que havia sido tipificada no sacrifício feito no jardim para cobrir sua vergonha.

Adão e Eva tiveram filhos. Os mais conhecidos são Caim e Abel (Gn 4.1-2). Mas o pecado agora estava à porta e assolava cada humano. Caim assassinou seu irmão (Gn 4.8). Parecia que o descendente da mulher, a esperança evangélica, havia sido frustrada. Mas o Adão e Eva tiveram outro filho, a quem deram o nome de Sete. Recebeu este nome porque o Senhor deu a Eva outro descendente no lugar de Abel (Gn 4.25). A esperança renasce!

Porém, os efeitos do pecado permaneceram. A terra se encheu de pessoas e, com a mesma proporção, se encheu de violência e pecado (Gn 6.5). Como poderia tanto mal passar impune? De maneira nenhuma! Mas Deus não planejava terminar tudo ali. Havia um plano para trazer juízo e ainda assim continuar a história da humanidade e preservar a descendência que traria a esperança aos homens.

Deus resolve destruir a humanidade (Gn 6.7), mas Noé, da linhagem de Sete, é agraciado por Deus (Gn 6.8). A história de Noé todos sabemos. A morte veio sobre a humanidade, mas, assim como no grande evento que seria chamado de páscoa, passou por cima da família de Noé sem atingi-la.

O Senhor preservou a linhagem da mulher como prometera, punindo um povo perverso e livrando uma única família por um preço justo que seria revelado tempos depois, na cruz. A linhagem santa continuou!

— Este texto é a 2ª parte da Série A Páscoa & o Evangelho. Confira a série completa AQUI.


 


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Afinal, o que é a Páscoa?

cruz páscoa

O cristianismo é conhecido no mundo todo, assim como o personagem principal da sua narrativa, Jesus Cristo. No entanto, até mesmo dentre os cristãos há muitas dúvidas sobre o que é a páscoa e se ela deve mesmo ser celebrada por nós. Você saberia dizer?

Este texto introduz uma série de 7 exposições bíblicas do Evangelho a partir da narrativa da páscoa.

Há duas formas bem comuns de errar sobre o assunto:

1) Achar que os cristãos apenas celebram porque está na Bíblia, em memória do evento que marcou a saída de Israel do Egito. Afinal, até Jesus a celebrou.

2) Achar que a páscoa cristã nenhuma relação tem com a páscoa judaica e que se trata exclusivamente o evento da morte e ressurreição de Jesus.

Ambos os pensamentos estão equivocados. Nós não celebramos a páscoa meramente por ser uma celebração que está na Bíblia. Aliás, há várias outras celebrações judaicas e nós não celebramos nenhuma delas. Contudo, a páscoa cristã está completamente conectada com o evento que recebeu o nome de “páscoa” para os judeus. Todo cristão deveria entender bem desse assunto, visto que é justamente sobre o Evangelho da salvação, como explicaremos. Infelizmente, a maioria das igrejas brasileiras celebra ou por misticismo, ou por entretenimento, sem expor à igreja qual sua importância

A páscoa é sobre Cristo, é sobre o Evangelho. Mais especificamente, sobre a ressurreição de Cristo. A páscoa representa a esperança cristã na vida eterna; representa o livramento de Deus para o seu povo; representa a libertação e a preservação dos eleitos, de todo aquele que confia nele.

A páscoa, portanto, demonstra sobre alguns aspectos específicos do Evangelho que são encontrados também em vários outros lugares das Escrituras. Vários eventos narrados na Bíblia mostram a mesma estrutura e as mesmas características – contidas na páscoa, tando judaica quanto cristã – do plano de redenção que Deus traçou desde a eternidade.

Nesta série pretendemos mostrar ao leitor como identificar a semelhança entre a páscoa e o Evangelho encontrado em outras passagens, assim como ajudá-lo a entender o propósito, as conexões e a importância da páscoa judaica e a ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu na cruz para perdoar todos os nossos pecados.

Muitas vezes, na história da humanidade, Deus se manifestou para livrar seu povo. É isso que a páscoa nos traz à memória. Para muitos, a páscoa é apenas sinônimo de mais um feriado, mais uma data comercial. Esperamos que, com essa série, você possa enxergar essa celebração tão cara à Igreja de Cristo com outros olhos.

Em Cristo,

– Lucas Rosalem – facebook.com/ApenasOEvangelho

— Este texto é a 1ª parte da Série A Páscoa & o Evangelho. Confira a série completa AQUI.


 


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Por que precisamos conhecer o Evangelho?

1 CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DO EVANGELHO PARA A EVANGELIZAÇÃO

Não podemos jamais anunciar o Evangelho e não convidar os ouvintes ao arrependimento e à fé em Cristo. Alguns têm dificuldades em como anunciar o Evangelho verdadeiro, pois são influenciados por uma cultura corrompida que busca algo politicamente correto ao invés de dizer a verdade como ela é.

1.1 A Realidade Natural Do Homem

Cada pessoa precisa saber qual sua situação. A condição de todos os ouvintes é de perdição. Não há outro meio para que se alcance a salvação senão por meio da exposição do Evangelho; e que seja uma exposição fiel, para que não haja convicções em algo que não é verdadeiro.

Estamos perdidos e, por essa razão, precisamos de Cristo. Anunciar o Evangelho não se resume a dizer que “Cristo morreu por você” – na verdade essa expressão sequer é encontrada em qualquer situação de evangelismo na Bíblia. O que aprendemos com as escrituras é anunciar que todos se arrependam e confiem em Cristo de todo coração. Dizer que Cristo morreu por alguém não é sábio; afinal, o ensino bíblico é de que Cristo apagou/cancelou os pecados dos eleitos de Deus; não sabemos quem são os eleitos, mas sabemos que devemos anunciar o Evangelho a todos.

1.2 O Chamado Evangelístico

O chamado ao arrependimento é universal. O que podemos dizer, e que é verdadeiro, é que Cristo morreu por pecadores e seu ouvinte também é pecador. Se, de fato, o ouvinte se arrepender e crer em Cristo, poderá ter a certeza de que Cristo morreu por ele.

Mas o problema nem chega a ser nesse ponto. Há uma mudança muito grande na pregação do Evangelho pela maioria dos cristãos. Um dia você prega uma coisa, noutro dia, outro cristão prega algo diferente. Afinal, há mais de um Evangelho? De modo nenhum! Qualquer evangelho diferente daquele que é apresentado nas escrituras deve ser rejeitado.

1.3 Sobre a mensagem do Evangelho

O objetivo do Evangelho é anunciar que há salvação por meio da Fé em Cristo somente. Quando proclamamos o Evangelho, dizemos que é necessário se arrepender dos pecados e crer em Cristo; isso é básico, trivial até. Mas quais as consequências de anunciar um falso evangelho que não apresente nenhum desses dois pontos?

Se você anuncia o Evangelho afirmando que Cristo morreu pelos pecados de todos os homens, mas que agora o homem precisa se arrepender e crer para que isso se torne real ou eficaz, você não compreendeu o Evangelho de Cristo. Não se trata de uma Redenção que não redime; mas de uma Redenção que redime. Quero dizer que a obra de Cristo foi consumada e que todo o propósito de sua obra não foi nem será frustrado, muito menos pelo homem. Cristo de fato salvou!

1.3.1 A fé e o arrependimento são inseparáveis

É possível apenas crer em Cristo, entretanto não se arrepender dos pecados? Pensando na salvação como uma obra que é aplicada pelo Espírito Santo, que cria uma nova disposição à natureza do homem para que este, naturalmente, aja de acordo com sua nova natureza e, portanto, responda positivamente ao chamado do Evangelho, convencendo-o de sua condição pecaminosa e trazendo-o para os braços de Cristo, parece que não é possível crer e não se arrepender – a obra é completa e não parcial.

1.3.2 A necessidade de convicção na mensagem do Evangelho para a pregação

Agora, considere a seguinte situação: Você anuncia o Evangelho aos perdidos, mas você mesmo não tem a convicção de que a obra de Cristo é suficiente ou eficaz para garantir que alguém seja salvo; em outros termos, você acredita que parte da salvação deve ser atribuída à decisão humana. Esse é um problema bem antigo. Precisamos reconsiderar como o homem pode ser salvo.

1.4 A corrupção da natureza humana e o novo nascimento

1.4.1 A regeneração é necessária para que haja arrependimento e fé

Primeiro, precisamos entender qual a origem dessa Fé, por meio da qual podemos ser declarados justos. Nossa natureza não pode produzir algo bom a partir dela mesma; é uma natureza corrompida, caída, inclinada para o que é mau (a inclinação da carne é inimizade contra Deus; veja Romanos 8:6,7). O ensino de Cristo é que é necessário que o homem seja novamente gerado (João 3). Essa vivificação, nova vida, gerada tão somente pelo Espírito Santo é que faz os crentes serem novas criaturas. É necessário que a inclinação para o mal seja vencida e isso somente o Espírito Santo pode fazer. O Espírito Santo dá uma nova natureza e a partir daí o homem age conforme sua nova natureza. É dito também que se alguém não nascer de novo não pode ver o reino de Deus. Ora, se o novo nascimento é requisito para se ver o reino de Deus e esta obra é do Espírito Santo, o que pode o homem fazer por sua salvação? Podemos afirmar que o princípio de um abandono do pecado ou conversão é atribuído à graça divina; somente o Senhor pode converter o homem (Jeremias 31:18). A Fé, portanto, não pode ser obra humana. Para que o homem responda positivamente (crendo) ao Evangelho, é necessário que Deus não apenas comece, mas realize toda a obra; pois somente pela obra da graça de Deus que o homem poderá fazer o bem que Deus quer. É Deus quem dá um novo coração e põe seu Espírito em nós; à parte disso não há salvação. Na verdade, o homem só é declarado justo diante de Deus por causa da justiça de Cristo que é imputada a ele por meio da Fé – a própria Fé não pode justificar, mas a justiça de Cristo aplicada por meio deste instrumento – a Fé – é que declara o homem justo.

1.4.2 A compreensão da mensagem depende da revelação divina

Segundo, o homem natural não compreende as coisas de Deus; é necessário que o próprio Deus se revele ao homem e conceda Fé para que o homem creia. A mensagem do Evangelho não é irracional; é algo sobre o que se pode pensar a respeito, que pode ser compreendido. O homem natural, entretanto, não compreende o Evangelho o suficiente para que creia na mensagem – a ponto de confiar em Cristo, mas pode entender alguns de seus aspectos. Entretanto, se você resumir o Evangelho a uma mera mensagem de sentimentalismo, apelando para que a pessoa acredite porque foi um lindo gesto de amor na cruz, pode levar seu ouvinte a jamais conhecer o Evangelho como ele é. É claro que a obra de Cristo foi uma linda demonstração de amor, especialmente de amor à justiça e santidade de Deus. Talvez você ainda pense que, à parte da graça de Deus, o homem tenha capacidade de responder ao chamado evangelístico, mas vale lembrar mais uma vez que o homem natural (aquele que não nasceu do Espírito) está inclinado para o que é mau; é escravo de sua vontade pecaminosa. O homem não regenerado jamais se inclinará para Deus de modo que coopere de alguma forma para sua salvação. Se o Senhor não iluminar o entendimento, tudo continuará em trevas.

1.4.3 A obra de Cristo assegura a redenção

E finalmente, a salvação não é decorrente de qualquer esforço do homem. Com muita frequência afirmamos que a salvação é pela graça, mas é comum confundir salvação pela graça e legalismo – que seria um tipo de salvação assegurada pela graça de Deus, porque de fato não merecemos, entretanto, dependente daquilo que o homem faz ou deixa de fazer. Precisamos entender que salvação pela graça é salvação de fato; o homem não pode se “des-salvar”.

Nós, mesmo que tenhamos sido gerados de novo pelo Espírito e compreendido a mensagem do evangelho e crido nela, continuamos pecando. A obra do Espírito em nós, aplicando a obra da salvação, nos liberta do poder do pecado; o pecado já não nos domina mais, porém não alcançamos a perfeição – ainda não fomos transformados ou glorificados. Na verdade, uma das marcas do cristão regenerado é a luta constante contra o pecado. Talvez você tenha duvidas sobre sua salvação por continuar sempre em conflito contra o pecado; o apóstolo Paulo descreve essa guerra no capítulo 7 de sua carta aos Romanos, comprovando a nossa imperfeição em sermos obedientes ao Senhor, entretanto, lutando diariamente contra os desejos da carne. Ora, se a salvação depende, ainda que em parte, da nossa santidade, certamente pereceríamos – afinal, quem de nós deixou de pecar?

A salvação é totalmente dependente da obra de Jesus Cristo. O que o nosso Senhor e Salvador realizou é o que nos garante a salvação. Ele foi obediente até a morte, tornou-se maldição em nosso lugar – pois sofreu a maldição da Lei que deveria vir sobre nós -, suportou a ira divina e ao terceiro dia ressuscitou – venceu a morte. Mesmo após termos nascido de novo, nenhum de nós conseguiria alcançar a salvação por meio da obediência à Lei de Deus – pois ainda pecamos. A boa notícia – o Evangelho – é que não depende de nós, mas que há salvação para nós, pecadores, porque Cristo fez o que jamais conseguiríamos fazer: alcançou o perdão de Deus por nossos pecados.

– Felipe Moura


 

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