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Militância Vs. Testemunho

Por Lucas Rosalem.

Você pode tentar imaginar o que o apóstolo Pedro diria se soubesse como hoje há tantos grupos identitários militantes em oposição, clamando por “direitos”, dentro da própria Igreja? Aliás, será que ele já não disse nada em suas cartas?

Vamos investigar o segundo capítulo da primeira carta. Não duvido que você já tenha lido várias vezes a passagem abaixo, mas será que entende a grandiosidade do que ela afirma?

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pedro 2:9).

Antes de começarmos a raciocinar sobre as implicações disso, vamos ler uma passagem do Antigo Testamento:

“Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel” (Êxodo 19:5,6).

Israel tinha uma missão. Dentre todo o mundo, Deus separou uma nação e dela tratou, pois dela nasceria a criança prometida a Adão e Eva (Gn 3:15) que derrotaria o mal, representado pela serpente. A missão desse povo foi cumprida, não pelo empenho dos israelitas, mas pela decisão e força do Senhor em agir conforme sua aliança, apesar de Israel quebrá-la vez após vez. E o que nós temos a ver com isso?

Segundo Pedro, cada um que confessa a Cristo passa a ser propriedade exclusiva de Deus, sendo incumbido de uma missão vinda do próprio Senhor. Assim, a mesma afirmação que era feita para Israel, é feita sobre a Igreja. Israel não anunciou o nome do Senhor como deveria ter feito, mas ainda assim Deus alcançou os seus propósitos. Com isso, Ele tirou de Israel a missão e colocou-a nas mãos da Igreja: para mim e para você.

Bem, e o que isso tudo tem a ver com os militantes de grupos “minoritários”? Se isso não parece ter a ver com o assunto, veja o que Pedro diz já no próximo verso:

“Antes vocês não tinham identidade como povo, agora são povo de Deus. Antes não haviam recebido misericórdia, agora receberam misericórdia de Deus” (v.10 – NVT).

Veja, talvez você sinceramente pense que brigar por leis exclusivistas para um grupo ou outro seja o correto a se fazer, e eu não tenho condições de, em um post tão pequeno, tentar listar e rebater as infinitas reivindicações nas pautas de cada grupo militante. O ponto é: você compreende que você não é especial por ter a sua cor, nacionalidade, sexo, classe social, etc.?

Essa pergunta é apenas inicial, a mais simples de todas. Eu poderia fazer inúmeras perguntas muito mais difíceis para contrariar o seu projeto político pessoal, mas vou fazer apenas mais uma: você compreende que absolutamente nenhuma das suas características pessoais podem ser a sua identidade? Sim, pois o próprio Deus (se é que você pertence a Ele) já te deu uma!

Eu compreendo perfeitamente que o medo de injustiças e perseguições façam tantos cristãos correrem para a política e colocar todas as suas esperanças nisso. Mas será que isso não revela uma inquietação bastante problemática do mais profundo da alma? Sim, veja bem: não há qualquer passagem bíblica que sequer sugira que os cristãos têm que, por via de leis impostas à sociedade, “garantir seus direitos”. Pelo contrário, a Bíblia nos alerta incontáveis vezes de que ser cristão é praticamente o mesmo que sofrer perseguição especificamente por causa dessa identidade: termos uma identidade em Cristo nos traz perseguição naturalmente. Afinal, nós não somos deste mundo, certo? Estamos com os olhos não em “direitos”, mas no porvir.

O que a Bíblia nos manda fazer, na verdade, é que, em meio a essas perseguições, nós continuemos mantendo essa identidade. Nós denunciamos o mal, mas a nossa luta não é física. Leia os dois próximos versos:

“Amados, eu os advirto, como peregrinos e estrangeiros que são, a manter distância dos desejos carnais que lutam contra a alma. Procurem viver de maneira exemplar entre os que não creem. Assim, mesmo que eles os acusem de praticar o mal, verão seu comportamento correto e darão glória a Deus quando ele julgar o mundo” (11-12).

Se você quer continuar esperando que por vias políticas e suas leis aleatórias impostas sob pretextos pessoais (ou, no máximo, de grupos que acreditam com todas as forças que são tão morais, tão melhores, que suas ideias precisam ser impostas ao restante), então, no mínimo, comece a avaliar o real motivo de você desejar tanto as mudanças que quer impor.

E saiba que você não foi chamado para nada disso. Você foi chamado para anunciar a Cristo com palavras (v.9) e com o seu testemunho pessoal (v.12). Nesse processo, denunciar o mal também faz parte. Mas você sabe o quão diferente denunciar é de tentar dobrar a sociedade à força.

Militar ou testemunhar? Deixemos o apóstolo Pedro encerrar:

“Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos” (v.15).

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