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Ouça o grito, ouça!

desespero grito

Por Lucas Rosalem.

O Brasil tem uma quantidade enorme de igrejas evangélicas por toda parte. Será que isso tem ajudado as comunidades onde essas igrejas estão? Ter cristãos por toda parte tem causado qualquer efeito real na vida dos necessitados? Aliás, nós sequer temos prestado atenção no desespero silencioso dos que sofrem? Ou só nos importamos com aqueles que concordam com as nossas ideias? Sim! É isso que tem parecido que é ser cristão nos últimos dias.

Em tempos de pandemia, qual a diferença entre cristãos e descrentes, na prática? Na maioria dos casos de manifestação pública nas redes sociais, parece não haver diferença alguma, exceto pelo uso do nome de Jesus; um uso vão. Veja o que Tiago, irmão de Jesus, escreveu:

“Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso?” (Tiago 2:15,16).

Você tem agido de que forma? (1) Palpitando sem parar, cheio de razão e sem se importar com o sofrimento real dos que têm opinião diferente da sua? (2) Tem, ao contrário, tentado ser condizente com a fé cristã, mas apenas no discurso, portanto sem proveito nenhum? (3) Ou tem feito algo realmente útil, fazendo algo que demonstrei não com palavras, mas com atitudes o que o Evangelho mudou em você?

A sociedade está gritando em nossos ouvidos. É um grito, talvez, silencioso: o medo da morte, do desemprego, de ver a família ruir. Se a sociedade está gritando desespero, o que nós estamos gritando de volta?

E não, pregar o Evangelho não é fazer caridade, muito menos substitui a pregação da obra de Cristo por nós (vivendo perfeitamente para entregar ao Pai em nosso lugar e morrendo também por nós, para receber Ele mesmo, não nós, a punição justa pelas nossas falhas). O perdão dos nossos pecados, cravado na cruz, não é explicado com gestos. No entanto, a obra de Cristo por nós não para por aí. Por intermédio do Espírito Santo, nós somos levados mais e mais próximos à semelhança de Cristo, de maneira que o que Ele fez por nós – doar-se a nós – não é algo que fica apenas nas ideias, mas é incorporado à nossa vida.

“Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé” (Tiago 2:17,18).

Tagarelar sobre Jesus sem nenhum indício prático de como isso afetou a nossa vida pode ser, isso sim, um indício de que a nossa vida só mudou teoricamente também. Nesse caso, a pessoa teria apenas trocado de ideia religiosa, mas com o coração exatamente do mesmo jeito. Com o perdão da comparação, mas seria como um lulopetista que virou bolsonarista, mas continua com a mesma idolatria anterior, mudando apenas o objeto de sua esperança e devoção. Ou seja, foi uma mudança apenas de ideia, não de comportamento. Não foi uma mudança moral, apenas ideológica.

“Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem” (Tiago 2:19).

Com os nossos políticos, todos eles, temos aprendido vez após vez a mesma coisa: discursos não dizem absolutamente nada sobre quem a pessoa verdadeiramente é. O que as pessoas dizem não pode ser levado a sério se o que elas fazem não é condizente com o discurso. O mesmo acontece com os cristãos.

Você já se perguntou o motivo de ter aumentado tanto o número de evangélicos no Brasil, ao mesmo tempo que aumenta a corrupção moral? Sim! A cultura nos oferece cada vez mais porcarias imorais, as notícias mostram cada vez mais atrocidades, a política está cada vez mais nojenta – só confia em política ainda quem está muito, muito cego e desconectado da realidade, ou com muito orgulho para admitir que a via política não resolve problemas. Contudo, o número de igrejas e evangélicos não tem aumentado assustadoramente? Onde, então, está a mudança comportamental e moral da nossa sociedade? O que diabos essas igrejas estão ensinando para que não haja absolutamente nenhuma mudança dessa gente toda? O que, afinal, está sendo pregado no lugar do Evangelho, que não tem incorporado mudança alguma em quem se associa a essas igrejas?

Em um discurso sobre a falta de ações que demonstrem o discurso cristão na prática, não me parece útil terminar com uma mensagem de consolo ou alegria. Talvez o que estejamos precisando entre nós, cristãos, seja de um grito sombrio nos ouvidos, um grito aterrorizante de “arrependa-se e volte-se para Cristo em fé”, pois discursos vazios – que não são demonstráveis pela vida – são um indício de falsificação; de mentira, desserviço e morte.

“Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tiago 2:26).

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