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Jesus no Antigo Testamento

Por Lucas Rosalem.

A pessoa de Jesus não é difícil de apresentar como divina por vários motivos: o próprio Jesus inúmeras vezes se apropriou de frases usadas por Iavé que só poderiam mesmo ser usadas por Ele. No Antigo Testamento, Deus muitas vezes dava ordens e direção a Israel apenas depois de dizer “Eu sou” (Gn 15:1,7; 26:24; 35:11; Êx 3:14; 6:29; 29:46). O próprio nome pactual de Deus, entregue aos hebreus a Moisés na libertação do povo do Egito, dava a ideia de “Eu sou”.

Dizer “Eu sou”, além de ser uma afirmação soberana de identidade, era a marca da apresentação de Deus aos hebreus. No evangelho de João, sem dúvida, as declarações mais importantes de Jesus são as que começam com “Eu sou”. Ao todo são 10 declarações e todas elas constam apenas em João. Algumas delas são frases que remetiam a Iavé (6:35,48,51; 8:12; 10:7,9; 10:11,14; 11:25; 14:6).

Uma dessas declarações (Jo 8:24-58) mostra que o significado das palavras de Jesus foi uma declaração tão óbvia de divindade aos ouvintes que eles imediatamente “pegaram em pedras para atirarem nele” (v.59).

Jesus estava dizendo, sem deixar dúvidas, que era o próprio Iavé: o mesmo Deus que criou o mundo; o mesmo Deus que se revelou a Moisés no passado e que salvou Israel tantas vezes. Na teologia protestante, as aparições da pessoa do Filho no Antigo Testamento são chamadas de “cristofanias”.

Toda manifestação de Deus tangível aos sentidos humanos é o Filho manifestando a glória da Trindade em sua pessoa. Ou seja, toda aparência visível de Deus no Antigo Testamento é uma aparição do Filho, pois ninguém pode ver o Pai, senão quando vê o Filho (leia: Êx 33:20; Gn 32:30; Jo 14:9). O que se via do Filho apenas em vislumbres no AT, no NT é explicado:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1:1-3).

Mas há ainda um nome em especial que o Filho recebe em muitas das suas aparições no Antigo Testamento: Anjo do Senhor.

Anjo, não é o nome da espécie deles, mas uma das suas funções. Tanto em hebraico ( ךאלמ – malak) quando em grego (αγγελος – angelos), significa “mensageiro”. Quando usamos o termo “anjo”, geralmente, é para nos referirmos aos seres celestiais criados não-caídos. Mas na Bíblia não é assim.

O termo é usado na Bíblia para se referir a seres celestiais, pessoas e a Jesus pré-encarnado (ou seja, nas aparições do Filho antes de ter nascido como homem). Na teologia, chamamos as aparições divinas de teofania, que são as manifestações de Deus de maneira tangível aos sentidos humanos, nem sempre em forma humana. Quando essas teofanias são em forma humana, chamamos também de cristofania, pois são aparições que prefiguram a encarnação, que foi quando Deus finalmente tomou a forma de um homem para viver entre nós.

Em geral, os teólogos cristãos entendem que quando aparece a figura do “Anjo do Senhor” no Antigo Testamento, trata-se de uma cristofania. Ou seja, é Aquele apresentado no Novo Testamento como o Messias: Jesus Cristo, o Filho de Deus.
Seria difícil para os hebreus compreenderem que essa figura misteriosa (o Anjo do Senhor) se tratava do próprio Senhor, mas distinto de outras pessoas no Ser Divino.

No entanto, eles tinham que lidar com o fato claro de que essa figura recebia título de divindade em vários textos. Em alguns textos, a figura do Anjo do Senhor é posta como uma extensão de Deus, como nos casos onde ele fala como se fosse o próprio Yavé (leia Gn 16:10 e 22:15-16). Outras vezes, o Anjo do Senhor apenas fala em nome dele.
No caso da “Palavra” do Pai, o Filho é retratado até mesmo no Novo Testamento como Aquele que fala em nome do Pai.

Outro exemplo é que Jacó “lutou” com essa figura e, em seguida, o texto diz que ele lutou “com o Senhor” (Gn 32:28).

Além disso, temos as profecias sobre o Messias que complementam o entendimento. Todo hebreu sabia que o Messias seria humano. Por outro lado, os vários nomes atribuídos ao Messias, em Isaías 9, são nomes atribuídos sempre ao próprio Deus: maravilhoso, conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz.

A pergunta é: se Ele é Deus, por que é chamado de anjo?

E mais: qual é o objetivo disso?

Existe um objetivo didático nisso. Essa ambiguidade está nos ensinando algo importante sobre quem é esse Deus. Como sabemos, Jesus é verdadeiramente Deus e homem. A expressão “Anjo do Senhor” mostra a tensão entre a transcendência e a imanência de Deus.

Ele está acima da nossa realidade, mas Ele se aproxima para libertar, cuidar e salvar. Ele é inalcançável, mas está perto. Ele é inatingível, mas se importa. Ele não faz parte do Universo e este não pode contê-lo, mas Ele está em todos os lugares.
Ele é totalmente outro em relação às coisas criadas. Porém, ao mesmo tempo, Ele é chamado de anjo para destacar sua proximidade com a criação.

Deus, como mensageiro, é Aquele que se aproxima; Ele chega perto de nós com sua mensagem. Deus é Aquele que está longe e também está perto, que é maior que o Universo, mas se aproxima de cada um de nós. Ele fala conosco, Ele se relaciona. Isso deveria produzir um efeito em nós.

Olhar para Deus dessa maneira dupla muda nossa reação diante dele. Nós devemos deixar que a Palavra de Deus construa em nossa mente, através de expressões como essa, uma visão correta de quem é esse Deus.

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1 Comentário

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