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As Famílias e os Conflitos Políticos

Por Lucas Rosalem.

“Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras” (Tiago 3:13).

Neste período de confinamento, muitas famílias (até mesmo evangélicas) estão descobrindo o quão frágil eram os laços internos, sem intimidade e cumplicidade suficientes, com uma aparente harmonia que só existia por causa da ausência uns dos outros. Agora, no confinamento, mas sem uma prática cristã familiar (seja com leitura da Bíblia juntos, oração, jejum ou mesmo culto familiar), famílias de gente de igreja estão se desentendendo como quaisquer outras famílias, ou ainda pior.

Um dos vários motivos é a posição, sempre decisiva e arrogante, a respeito do governo do Brasil. Nenhum dos lados, seja contra ou a favor, está facilitando a convivência. Nós nos deixamos permitir estarmos prontos para saltar sobre as outras pessoas sem nem mesmo ouvi-las. Veja a quem ponto chegamos: famílias brigando e se magoando profundamente por causa de políticos e ainda em questões que não são elas que decidem. Quão estúpido precisa ser alguém que se orgulha em dizer que perdeu uma amizade por causa de um político? Quanto mais o laço com um parente.

É claro que nós podemos discutir sobre as coisas e defender posições que entendemos estarem corretas. Mas a sabedoria consiste muito mais em escolher em quais brigas entrar do que em como brigar.

Tiago fala da sabedoria. Contudo, ele fala de dois tipos de sabedoria: uma sabedoria que vem da paz e da justiça de Deus, e de uma sabedoria humana, com os olhos nas coisas terrenas, motivada pelo coração humano.

Nessa confusão partidarista que estamos vivendo, não importa se você tem uma boa ideia, porque essa é apenas uma pequena parte da questão. Tiago, nesse capítulo está nos dizendo o seguinte: não venha me dizer que a sua ideia funciona se ela é moralmente errada! Se você tem sabedoria e entendimento, mostre com atos de mansidão.

Ser manso não é ser um banana sem opinião. Não. Ser manso é saber confrontar sem perder o controle! É ter opinião, mas com um comportamento imparcial e honesto: se precisar emitir um juízo, irá fazê-lo, mas não em troco da paz comum.

No verso seguinte, Tiago diz que quem defende e se vangloria de sua grande ideia em detrimento da mansidão, mente para si mesmo. Pois essa sabedoria não é a que vem do alto.

“Se, pelo contrário, vocês têm em seu coração inveja amargurada e sentimento de rivalidade, não se gloriem disso, nem mintam contra a verdade. Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; pelo contrário, é terrena, animal e demoníaca” (14-15).

Esse texto nos lembra do que Paulo diz em Filipenses 3, a partir do verso 19, onde o apóstolo fala sobre aquele tipo de pessoa que só pensa nas coisas terrenas. Leia atentamente:

“O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está naquilo de que deviam se envergonhar, visto que só pensam nas coisas terrenas. Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas” (Fp 3:19-21).

Essas pessoas, por melhores que sejam suas ideias, estão agindo de forma demoníaca. O que acontece quando temos a inveja amarga e o sentimento faccioso/partidário? Confusão e práticas nocivas. Quando a justiça e a paz de Deus não estão no governo dos nossos sentimentos, há desordem independentemente do plano. Isso Tiago deixa claro no capítulo seguinte:

“De onde procedem as guerras e brigas que há entre vocês? De onde, senão dos prazeres que estão em conflito dentro de vocês? Vocês cobiçam e nada têm; matam e sentem inveja, mas nada podem obter; vivem a lutar e a fazer guerras. Nada têm, porque não pedem; pedem e não recebem, porque pedem mal, para esbanjarem em seus prazeres” (4:1-3).

Isso é muito esclarecedor!

A sabedoria terrena nasce das paixões carnais. Ela é fruto da tolice de corações impuros.

O coração impuro tem uma coisa em primeiro lugar: ele está dividido. Ele não sabe se serve a Deus ou ao mundo. Nesse desespero, nós entramos num processo de guerra, pois nos esquecemos que este mundo não é tudo que há e deixamos de confiar que Deus vai nos dar o que Ele prometeu. Avançamos o sinal e tentamos tomar o mundo pelas nossas próprias forças. Ambos os lados, direita e esquerda, antigoverno ou pró-governo atual, todos querendo uma mesma coisa: que aquilo que está no seu coração seja posto a força à sociedade; que o que nós entendemos ser o correto torne-se lei para o restante da sociedade.

No desespero, ficamos excessivamente conscientes da injustiça feita contra nós e perdemos a capacidade de agir como cristãos (amando o próximo como a nós mesmos) e sendo caridosos sofrendo o dano pelo outro, como somos incentivados a agir segundo Paulo (1Co 6:7).

Se o seu coração não for amansado pelo Espírito, a sua casa, o seu trabalho e toda a sua vida, sempre será uma guerra. O seu coração só será amansado quando você entregar a Deus todas as suas ansiedades e ambições. Sabe aquelas coisas todas que você acha que merece? Talvez você até mereça algumas delas, coloque nas mãos de Deus e não se permita fazer delas a sua identidade, nem seu objetivo final. É daí que virá a paz e a moderação. Não se sentirá mais ofendido pelo simples fato de precisar negociar uma situação, seja dentro de casa, no trabalho, etc.

“Pois, onde há inveja e rivalidade, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. Mas a sabedoria lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, gentil, amigável, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento” (Tg 3:16-17).

Este é o momento para você confrontar o seu coração. Não deixe o momento passar. “Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz” (3:18).

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