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A liberdade trará paz entre as pessoas?

Por Lucas Rosalem

Uma das acusações mais espúrias feitas contra cristãos libertários (no significado brasileiro para isso) é que eles estariam fantasiando que no “ancapistão” as pessoas seriam bondosas e todos viveriam em harmonia. Há algumas variações dessa acusação.

É até difícil saber por onde começar, por causa da quantidade incrível de falácias em uma coisa só. Vamos começar pelo seguinte: nenhum libertário, seja ateu ou cristão, pensa tal coisa. Na verdade, libertários dizem exatamente o contrário: é por sabermos que crimes nunca deixarão de acontecer nesta vida que nós precisamos acabar com os monopólios (da segurança, das leis, dos tribunais e da aplicação – além de todo o resto, obviamente).

É por sabermos que as pessoas sempre farão o que trará maior benefício pessoal, no ponto de vista delas, que, diferente dos comunistas, acreditamos que todos os incentivos que o monopólio estatal fomenta potencializam crimes e, sobretudo, impedem que a sociedade crie soluções locais melhores.

Agora, pensando especificamente na questão da natureza humana, os libertários ateus (tanto quanto os agnósticos ou de outras religiões), desde o início (quando começam a estudar sobre libertarianismo) aprendem que há uma lei natural que pode ser deduzida logicamente e é irrefutável. Esse é um assunto para outro post específico. Mas a questão é que os libertários são, de longe, os que melhor compreendem e afirmam que há uma lei absoluta que deve ser respeitada. No caso de libertários cristãos, esse exercício também é interessante (compreender que existe uma lei natural), mas é desnecessário dentro do círculo cristão, pois a Bíblia afirma isso categoricamente. Porém, o jeito que a Bíblia apresenta esse fato mostra que, talvez (só talvez) aqueles que acusam os libertários de ingênua confiança na liberdade humana (e, mais uma vez, isso é falso) estejam confiando excessivamente no Estado e sendo negligentes em cumprir sua missão como cristãos que é de anunciar a Cristo e chamar o povo ao arrependimento partindo do próprio conhecimento de que as pessoas, todas elas, já sabem que existe uma lei absoluta:

“Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos.

Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se, no dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu evangelho” (Romanos 2:14-16).

Se você é cristão, principalmente se você é pastor ou teólogo de Internet (e aqui não estou menosprezando essa função), leia bem: não ouse questionar a legitimidade da fé de um cristão libertário com base nesse argumento estúpido. Pare de ser tão arrogante ao ponto de concluir que cristãos libertários não sabem o óbvio. Considere, no mínimo pelo benefício da dúvida, que cristãos sejam cristãos e não estejam, ao menos em tese, “idolatrando” (colocando sua esperança em) algo que você definiu que estão. Enquanto, na verdade, pode ser apenas que você substituiu aquilo que você é quem está idolatrando (o Estado) por outra coisa. Como Paulo diria, “portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas” (Romanos 2:1).

Considere também o fato de que a maioria dos libertários não se convenceu do dia para a noite, mas no mínimo assistiu a muitas explicações ou, como eu, até mesmo leram realmente muitos livros sobre economia e outras áreas, até resolverem humildemente mudarem de opinião.

Por fim, considere primeiro dialogar, sem pressionar, para compreender e só depois se opor, mas do jeito que um cristão deve fazer: explicando gentilmente, com amor e uma meta nobre.

“A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um” (Colossenses 4:6).

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