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Simão, o Mago

Poucos personagens bíblicos causaram tão má impressão como Simão, o Mago.

Na igreja antiga dizia-se — e ainda é repetido em muitos livros de história, que ele foi o fundador de quase toda heresia de origem incerta. Em algum ponto, por volta do século III ou IV, um escritor anônimo com muita imaginação escreveu a literatura pseudoclementina,na qual Simão, o Mago, é o vilão que vai a todo lugar tentando desfazer o trabalho de Simão Pedro.

Durante a Idade Média, os cristãos, que desejavam a reforma da igreja e que lamentavam a prática de comprar e vender posições eclesiásticas, deram a essa prática o nome de “simonia” por causa de Simão, o Mago, que quis comprar o dom do Espírito Santo. E, no século XX, Hollywood, como não podia ficar aquém dos demais, produziu um filme (O cálice de prata) no qual Simão, o Mago, é um charlatão que usa truques de mágica para tentar ultrapassar os milagres dos apóstolos. Mais comumente, diz-se que Simão, o Mago, era um hipócrita que tentou usar o evangelho para o próprio benefício financeiro.

Contudo, o texto não diz isso. O texto simplesmente fala que Simão acreditava e estava “admira[do]” com as coisas que via acontecerem à volta de Filipe. O texto também diz que ele era um homem poderoso. Ele era tão poderoso que as pessoas diziam o seguinte a respeito dele: “Este é o Poder de Deus que se chama Grande Poder”.

Esse prestígio incrível de Simão é confirmado pelo testemunho de Justino Mártir, que procede da região de Samaria. Simão, esse homem poderoso e prestigiado, é convertido. Mas ele, ao ver que os apóstolos têm o poder de conferir o Espírito Santo, deseja ter o mesmo poder e deseja receber esse poder em troca de dinheiro. Ele sempre foi poderoso e, agora, deseja trocar dinheiro, símbolo de seu poder em Samaria, pelo dom dos apóstolos a fim de ser tão poderoso e prestigiado na igreja como é em Samaria.

É a isso que Pedro responde com palavras duras, dizendo-lhe que está “cheio de amargura e em laços de maldade”, e que, por isso, o dinheiro dele perecerá com ele. A isso, Simão responde com palavras que parecem indicar, pelo menos, o início de arrependimento.

Quando lido assim, o texto não é sobre sinceridade ou hipocrisia, mas sobre como o poder afeta a vida cristã.

– Justo Gonzales


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