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PODER DAS PALAVRAS

Neste post, vou apresentar alguns pontos que se desenrolaram a partir de um post “bobo” que fiz no Facebook, a saber:

Não existe “poder” nas palavras, ok?
Isso é bobagem neopentecostal. Faça um teste aí, tente mover um objeto bemmmm pequeno com as palavras. Algum objeto tão pequeno que seja impossível alguém ter uma fé tão pequena que não consiga.
Você tem fé? Então, escolha um objeto ridiculamente pequeno e tente movê-lo. Se não conseguir, mude sua ideia.
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Alguém me perguntou:
Lucas, de que “poder da palavra”, afinal, você fala? Porque não é aquele poder verbal do tempo imperativo, certo? Nem também aquele poder de cura pela palavra trabalhado em análise clínica pela livre associação. Nem também o poder persuasivo do discurso e da sugestão. Mas também não acho que você está falando do poder criador do palavra tal como descrito no Gênesis. Então, que poder da palavra é esse que você nega? Só pra tirar minha curiosidade.

Resposta:

Quando um neopentecostal diz que as palavras têm poder, no que ele está pensando?

Bom, pentecostais em geral também têm o mesmo problema dos neopentecostais nesse assunto: espiritualizam e mistificam a importância ou relevância das palavras como sendo algo intrinsecamente poderoso, não pela informação contida que, ao ser entendida (obedecida ou não) incorre em consequência, mas em uma supersticiosa capacidade de alteração no meio sutil (como dizem os iniciados em qualquer sistema mágico) per se – o que é de uma ingenuidade (pra não dizer imbecilidade) sem tamanho.

O assunto contrariado no meu post, na Teologia, é chamado de Confissão Positiva. É a ideia de que as palavras são perigosas (ou benfeitoras) por si só, como um tiro ou qualquer ato físico. As palavras são imaginadas como pura magia, e o pensamento positivo (tal como o negativo) causa alterações físicas assim como os mantras supostamente causariam, segundo os orientais. Daí a ideia de “determinar a bênção” ou até amaldiçoar um inimigo. É uma espiritualização generalizada que mais causa medo do que ajuda. Isso é feito também com símbolos. Digamos que sua camiseta tenha um símbolo da Nova Era em algum lugar que você não percebeu. Se sua vida financeira anda de mal a pior e, por fim, você encontra o tal símbolo na camiseta, provavelmente era culpa do símbolo, que atraía maldições. E por aí vai. O pensamento se estende pra qualquer coisa, então não poderia deixar escapar as palavras.

Nem mesmo “maldições com causa” pegam em cristãos, se o assunto aqui for algum poder místico oriundo do próprio pronunciamento da tal “maldição”.

Mas então quer dizer que palavras nada fazem e para nada servem?

Opa, calma lá.

Eu “posso” chamar um táxi. Esse é o único sentido em que podemos dizer que as palavras têm poder. Ou seja, não tem absolutamente nenhuma relação com a noção supersticiosa brasileira, que apenas reflete o óbvio: falta de leitura da Palavra.

Alguém, a essa altura, objetou citando o exemplos do “poder” das ofensas.

Cristãos coerentes com as Escrituras não acreditam que palavras tenham poder. O único com poder é Deus. Nossas palavras podem surtir algum efeito, mas poder ser recusadas. E isso prova que elas não têm poder algum.

Quem dá ouvidos escolhe ser afetado. É por isso que a ofensa não deveria jamais ser criminalizada, porque ninguém precisa se ofender com nada. Quem se ofende é mais tolo do que quem tenta ofender. De qualquer forma, nós é que escolhemos nos ofender, porque palavras não ofendem, pessoas é que tentam ofender.

QUEM FAZ A VÍTIMA DA OFENSA?

Pense bem e amadureça.
Vítima de ofensa só é vítima porque escolheu se ofender. Isso nada mais é do que imaturidade. Eu posso chamar você de qualquer coisa e você pode escolher se ofender ou me achar infantil. Você pode até mesmo rir do meu xingamento, mas pode escolher ser ainda mais infantil que eu e ficar ofendida.

A culpa pela ofensa é também de quem se ofende, primeiro por dar ouvidos a algo infantil, segundo, por escolher causar dano permanente a si mesmo, sofrendo por algo sem sentido.

É IMPOSSÍVEL IGNORAR OFENSAS?

Tecnicamente não é impossível ignorar qualquer tipo de ofensa. Pode não ser fácil, mas aí mora a consequência do Fruto do Espírito. Cristãos não têm sangue de barata, mas se eles têm o Espírito, “dar a outra face” deveria ser normal.

Na verdade, acho mais fácil, pelo que tenho praticado, demonstrar-se ofendido, por puro senso de “dever” ou algo assim, do que interiorizar a ofensa. Tem coisa que nós sentimos que precisamos nos manifestar, mesmo que não sintamos nenhuma raiva no momento.

Acho esse tipo de coisa muito válida. Isso não significa que de fato nos ofendemos, mas que a pessoa que tentou ofender merece ser punida.

HÁ PODER NAS PALAVRAS DE AMEAÇAS?

Não. O que há é um aviso, que você pode ou não levar em conta, se fizer sentido. O poder não está nas palavras. Uma ameaça feita por uma pessoa de 50kg, sem os braços e tetraplégica continuaria sendo uma ameaça, mas não teria importância. Por quê?

Obviamente, porque essa pessoa não teria possibilidade de fazer qualquer coisa. Um homem agressivo, cuja esposa o conhece muito bem e sabe que ele é um cretino, quando faz uma ameaça, recebe atenção porque é sabido que ele pode muito bem cumprir o que diz. As palavras não têm poder, só comunicam um fato. Uma mulher nessa situação deveria tê-lo denunciado na primeira agressão. Qualquer transtorno psicológico derivado dessa situação infeliz do casal não é fruto das palavras, mas do pecado.

O mesmo com a criança aliciada. O problema não são as palavras, o problema é o pecado. Essas pessoas não sofreram por palavras, sofreram pela imoralidade de terceiros.

Novamente:

A ofensa tem dois lados: a do que TENTA ofender e a do alvo, que só é ofendido se quiser sentir-se assim. Portanto, a afirmação não é de modo algum genérica. Na verdade, ela aponta para a imaturidade, na maioria dos casos, e para a medida de justiça própria, em alguns (como o exemplo que você deu).

É como quando alguém chama alguém de “preto” pra ofender. Ora, se o alvo da ofensa é realmente preto, ou marrom, tanto faz, ele está sendo chamado de algo que ele é. Seria o mesmo que chamar um branco de branco, um homem de homem, um professor de professor, etc.

Aliás, todas essas pessoas podem se ofender, por infinitos motivos, mas não deixa de ser algo proposital: objetivamente querer sentir-se ofendido por algum motivo, seja por imaturidade ou por perceber que o problema não estava no que foi dito, mas no fato de que aquele que tentou ofender agiu de forma imoral.

– Lucas Rosalem


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