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Seu Sangue Purifica de Todo Pecado!

A igreja brasileira está inserida numa sociedade em decadência. A igreja é uma contracultura dentro de uma cultura decadente, em decomposição; uma sociedade que não tem princípios; uma sociedade que não é regida pela verdade de Deus. E essa era exatamente a realidade da igreja de Corinto.

Em Corinto havia um dos principais templos do culto grego, Afrodite, a deusa do sexo, com cerca de 10.000 prostitutas cultuais, que prestavam culto através da prostituição. O ambiente era de promiscuidade, lascívia, e todo tipo de imoralidade sexual. Lá também ficava a maior estátua de Apolo, que era um monumento ao corpo masculino, sugestionando a prática homossexual – não foi à toa que Paulo diz no capítulo seguinte que os efeminados não herdariam o reino de Deus. É provável que muitos irmãos antes da conversão estivessem perdidos nessa prática.

Infelizmente, a igreja de Corinto não vigiou e deixou que o problema que os rodeava também atingisse o seio da igreja. Paulo denuncia uma situação tão deplorável e repugnante que nem mesmo aos coríntios era comum: um homem que estava tendo relações sexuais com sua madrasta. O alerta de Paulo à igreja foi duro e seco! Muitos crentes hoje preferem até mesmo ficar com suas próprias opiniões sentimentais a favor do pecado do que realmente amar o corpo de Cristo e compreender quão danoso é a todos quando a perversidade é tratada com gentileza.

“E já condenei aquele que fez isso, como se estivesse presente. Quando vocês estiverem reunidos em nome de nosso Senhor Jesus […] entreguem esse homem a Satanás, para que o corpo seja destruído, e seu espírito seja salvo no dia do Senhor (1Co 5:3-5).

Obviamente, não bastaria o erro ser apontado à distância. A própria igreja era responsável por aquilo e os irmãos deviam agir rapidamente. Se a igreja não agisse, aquilo se alastraria. É aí que entra uma das frase famosas do apóstolos:

“O orgulho de vocês não é bom. Vocês não sabem que um pouco de fermento faz toda a massa ficar fermentada? Livrem-se do fermento velho, para que sejam massa nova e sem fermento, como realmente são. Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado” (1Co 5:6,7).

A igreja precisa tratar o pecado! A disciplina precisa ser feita em nome de Deus, no poder de Jesus e com a participação de toda igreja. A disciplina é um ato seríssimo e de extrema importância. Hoje vemos muitos evangélicos mal criados, prepotentes, com pouco conhecimento de Deus e da história de Israel; parecem não entender sua condição de queda e que subsistem diante de Deus apenas por misericórdia – ou seja, por Deus não lhes dar o que eles merecem: sua ira!

Na Antiga Aliança, Deus lançava juízo sobre toda a nação quando parte dela se desviava. O juízo trazia sofrimento a todos, mas enquanto para alguns era punição, para outros era disciplina. Deus sempre usou de disciplina para demonstrar seu amor por seu povo e fazê-lo voltar para si, para afastá-lo do pecado e prepará-lo para coisas maiores. Vemos isso em toda Escritura. Esse era o espírito de Paulo, cheio de uma ira santa, mas em defesa da igreja. O nome de Deus estava sendo blasfemado e o Espírito Santo entristecido. Havia uma série de consequências; a igreja não podia mais ter parte com aquele homem; ele precisava ser excluído de imediato. É nesse contexto que surge a argumentação de Paulo que se tornou o maior manual bíblico sobre como tratar o pecado na igreja. Nessa ocasião ele usa alguns argumentos baseados na festa da páscoa. Vejamos como foi o raciocínio.

A igreja de Corinto tinha tanto judeus quanto gentios na sua membresia. Certamente, como o cristianismo era baseado no Antigo Testamento, os membros gentios já tinham aprendido a respeito dos costumes e festas judaicas e como tudo aquilo prefigurava a Cristo. Eles sabiam, por exemplo, que durante dez dias os israelitas tinham que comer pão sem fermento – por isso às vezes a festa da páscoa também é chamada de Festa dos Pães Asmos. No final dos dez dias, o povo imolava (sacrificava) um cordeiro que precisava ter um ano de idade e sem defeito, que era comido entre a família, com ervas amargas e os pães asmos.

Todo cristão sabia, aquilo era um símbolo do sacrifício do Messias que permitiu a libertação do povo de Israel da terra do Egito, prefigurando assim a nossa libertação, o nosso êxodo espiritual do reino do pecado e da morte – o reino de Satanás – para o reino glorioso do nosso Senhor e Salvador.

A páscoa estava cheia de significado redentor, e Paulo usa, então, essa figura para ilustrar a razão pela qual nós não podemos suportar o pecado e permitir que ele permaneça em nós sem que seja tratado. Paulo diz, assim, que o pecado é como o fermento (v.6). É interessante notar que a denúncia do apóstolo incluía que a igreja se gloriava em sua espiritualidade, como também vemos no capítulo 14 inteiro, onde vemos que o culto estava basicamente uma baderna, uma confusão, travestida de poder do Espírito, apenas servindo ao ego dos membros que não se preocupavam com a edificação da igreja em si, mas em “edificar a si mesmos”, como aponta o apóstolo.

Todo tipo de pecado funciona como fermento, se não tratado. Seja o orgulho, a avareza, o exibicionismo ou a imoralidade sexual. A igreja de Corinto não costumava trazer disciplina aos irmãos, por isso tudo estava tão contaminado, ainda que eles conhecessem o Evangelho. Eis o perigo de se acovardar e deixar cada um “em paz” com seu pecado! Algo muito semelhante à política moderna do “não julgueis” que ouvirmos de muitos crentes.

O poder que o fermento tem de contaminar é usado por Paulo para se referir ao poder que o pecado não tratado tem de corromper e se espalhar. Quando a igreja não se apressa a tratar pecados expostos, eles se alastram e corrompem não só a mente de quem os pratica, mas, pelo exemplo, corrompe a mente de terceiros, que são encorajados pela conivência de quem podia fazer algo e não faz. Isso é tão comum hoje que se alguém tenta repreender e corrigir um irmão, logo aparece alguém perguntando se essa pessoa é perfeita, se ela não tem pecados, como se um pecado invalidasse o outro. Ora, se houver pecado exposto de quem fez a correção, que haja correção desse pecado também, ao invés de se encobrir ambos os pecados!

Livrem-se do fermento velho, para que sejam massa nova e sem fermento, como realmente são. Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado (1Co 5:7).

Por que ele diz que os irmãos já eram sem fermento? A razão é que Cristo, o Cordeiro Pascal, já foi sacrificado não só para nos livrar da culpa, mas nos purificar do pecado. Cristo morreu pelos nossos pecados, mas Ele também morreu para nos livrar do poder do pecado, para que sejamos uma nova massa! Não faz sentido entender o que Cristo fez e continuar nos mesmos pecados de antes, ao invés de celebrar essa festa que é a vida cristã! Nós celebramos a nossa libertação. Celebramos a vitória do Cordeiro! Por isso ele diz:

“Por isso, celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da perversidade, mas com os pães sem fermento da sinceridade e da verdade” (1Co 5:8).

Celebremos, porque mais do que o Cordeiro já ter sido sacrificado, perdoando nossos pecados e nos livrando do seu poder, Ele ressuscitou dos mortos! Ser cristão é fazer parte da família mais alegre do mundo! Mas essa alegria não faz vistas grossas para a corrupção.

Outro argumento de Paulo é que existe lugar para separação, sim, no povo de Deus. A separação da imoralidade e seus propagadores, muito mais se esses estiverem dentro da igreja, participando do sangue e do corpo de Cristo! A pior comunhão para a igreja é com imorais que se dizem cristãos. É desses que devemos nos separar.

“… vocês não devem associar-se com pessoas imorais. Com isso não me refiro aos imorais deste mundo […] agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer (1Co 5:9-11).

Muitos são os casos em que pessoas excluídas do seio da igreja retornam tempos mais tarde com aqueles pecados já deixados para trás, superados. Por isso é que Paulo dá uma ordem para a igreja que é decisiva para a saúde e da comunhão dos irmãos:

“Como haveria eu de julgar os de fora da igreja? Não devem vocês julgar os que estão dentro?
Deus julgará os de fora. “Expulsem esse perverso do meio de vocês“‘ (1Co 5:12,13).

Pode parecer uma disciplina severa, mas não se lembrarmos do que foi dito antes: “para que o corpo seja destruído, e seu espírito seja salvo no dia do Senhor” (1Co 5:5)

O alvo de Paulo é que, mediante a repreensão e o arrependimento o pecador seja salvo no fim das contas. Se Cristo morreu por tal pessoa, mas ela se entregou ao pecado por falta de correção da parte dos irmãos, o amor de Deus será expresso por ela lá fora, e o Senhor certamente a tratará e a reconduzirá para comunhão, como tantas e tantas vezes fez com seu povo eleito.

Nós não podemos nos deixar levar pela cultura que nos cerca! A cultura parece estar sempre mudando, mas sempre foi a mesma coisa, uma tolerância tremenda ao pecado, seja qual for. O mundo aceita tudo, mas nosso padrão é outro. Nós devemos é nos lamentar pelos pecados dos outros e nos arrepender dos nossos, pois o nosso Salvador morreu para tirar de nós o velho fermento. O sangue do Cordeiro foi vertido para que a morte passasse por cima e não pudesse nos encontrar!

Paulo usa como pano de fundo a comunhão dos irmãos, ainda nessa mesma carta aos coríntios, para citar as palavras do nosso Senhor, ditas na comemoração da páscoa com os discípulos. Foi na páscoa que Jesus disse que a partir dali o povo santo não celebraria mais a libertação do Egito, mas cearia trazendo à memória seu corpo e sangue que foi entregue pela Igreja (1Co 11:23-26)

Todos aqueles que estão em Cristo têm o livramento da morte, a remissão dos pecados, a salvação eterna, vida abundante com Deus! Nenhum de nós é perfeito, mas há perdão onde há arrependimento. Que saibamos dessa verdade e possamos viver de acordo com o Evangelho de Cristo.

– Lucas Rosalem

— Este texto é a 6ª parte da Série A Páscoa & o Evangelho. Confira a série completa AQUI.


 


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O Cordeiro que livrou a todos!

o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo - páscoa

A humanidade está em exílio! A descrição da história de Adão e Eva no Gênesis é a descrição do exílio de todo ser humano. Cada homem que já veio a existir esteve no estado de inquietação, em busca de um lugar onde sua alma pudesse se descansar.

Quando abrimos a Bíblia, especialmente em Gênesis, vemos inúmeras histórias e personagens. Pode ser difícil para alguns perceberem, mas tudo ali está conectado. Tudo o que acontece, cada ação ou ordem divina, tem um propósito glorioso! Todos os eventos são sombras de um único e fantástico evento universal: a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Cordeiro Pascal, que trouxe o livramento e a preservação de todos os eleitos de Deus!

Já com Adão e Eva houve, os primeiros humanos, houve necessidade de redenção. O casal quebrou sua ligação com Deus ao dar ouvidos à serpente, arruinando a situação da humanidade. Deus havia dito que a desobediência traria morte sobre eles, e agora nada poderiam fazer para da ira do Senhor. No entanto, Deus não queria que tudo se acabasse ali mesmo, ao passo que o pecado deveria ser punido de qualquer forma. Então, Ele mesmo providencia um sacrifício para cobrir a vergonha do casal (Gn 3.21). Houve livramento; a humanidade foi preservada pela misericórdia do Criador!

Deus, assim, revelou parte do que era necessário para que houvesse perdão justo dos pecados: uma morte substitutiva. Ele também prenunciou parte do Grande Plano ao casal, dizendo que a mulher daria luz a um descendente que esmagaria a cabeça da serpente (Gn 3:15). O casal certamente não poderia imaginar o que esse descendente fosse o próprio Filho de Deus e que a sua morte era que havia sido tipificada no sacrifício feito no jardim para cobrir sua vergonha.

Adão e Eva tiveram filhos. Os mais conhecidos são Caim e Abel (Gn 4.1-2). Mas o pecado agora estava à porta e assolava cada humano. Caim assassinou seu irmão (Gn 4.8). Parecia que o descendente da mulher, a esperança evangélica, havia sido frustrada. Mas o Adão e Eva tiveram outro filho, a quem deram o nome de Sete. Recebeu este nome porque o Senhor deu a Eva outro descendente no lugar de Abel (Gn 4.25). A esperança renasce!

Porém, os efeitos do pecado permaneceram. A terra se encheu de pessoas e, com a mesma proporção, se encheu de violência e pecado (Gn 6.5). Como poderia tanto mal passar impune? De maneira nenhuma! Mas Deus não planejava terminar tudo ali. Havia um plano para trazer juízo e ainda assim continuar a história da humanidade e preservar a descendência que traria a esperança aos homens.

Deus resolve destruir a humanidade (Gn 6.7), mas Noé, da linhagem de Sete, é agraciado por Deus (Gn 6.8). A história de Noé todos sabemos. A morte veio sobre a humanidade, mas, assim como no grande evento que seria chamado de páscoa, passou por cima da família de Noé sem atingi-la.

O Senhor preservou a linhagem da mulher como prometera, punindo um povo perverso e livrando uma única família por um preço justo que seria revelado tempos depois, na cruz. A linhagem santa continuou!

— Este texto é a 2ª parte da Série A Páscoa & o Evangelho. Confira a série completa AQUI.


 


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