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A morte que deu vida!

“No primeiro dia da semana […] foram ao sepulcro. Encontraram removida a pedra do sepulcro, mas, quando entraram, não encontraram o corpo do Senhor Jesus” (Lucas 24:1-3)

Nós temos uma boa notícia: Ele ressuscitou dos mortos, como estava prometido! A esperança na Boa Nova nunca foi vã. Essa notícia é tão profunda que pode transformar a vida de qualquer um de maneira radical. E hoje nós temos sérias razões para nos alegrar e desfrutar dessa realidade. Deus tirou dos nossos corações o luto, a dor e o pranto do exílio dos cativos, e transformando em canto de esperança! A morte do Messias trouxe paz. Como pode a morte trazer tamanha satisfação e confiança?

Nós não fomos criados para a morte. É por isso que até hoje, mesmo depois de tantos bilhões de humanos que nasceram e faleceram, desde a queda de Adão – por onde a morte entrou no mundo – a humanidade não só vê com estranheza, mas teme e treme diante da morte. O pregador diz, em Eclesiastes 13:11:

“Ele fez tudo apropriado a seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez”.

É compreensível que a noção de que a cada minuto a morte se aproxima, cause no homem uma angústia desesperadora, uma ansiedade que consome a alma, uma aflição que nos faz ou confessar nossos pecados e medos ao Criador, ou acusá-lo tolamente pelos problemas e pela corrupção da humanidade.

Sem o convencimento do Espírito Santo e o entendimento da mensagem do Evangelho, o homem está fadado à idolatria e paganismo: uma relação de trocas com aquele que ele fantasia ser o deus que o livrará de tudo que for preciso, mediante suas oferendas, sejam em comida, em dinheiro ou em boas ações. E, assim, o desespero nunca termina.

A ansiedade se torna ainda mais intensa e delirante quando a pessoa, ainda cega pelo deus deste século, nem sequer considera mais a possibilidade de um ser superior, seja ele o Deus cristão ou qualquer entidade. É assim que muitos lançam suas expectativas na ciência (ou, melhor dizendo, pseudociência) a fim de encontrar propósito para sua miserável vida insignificante. Sua insignificância se torna mais gritante à medida, na tentativa de encontrar alívio em filmes e séries futuristas, confirma ainda mais que o homem não passa de pó. Sua esperança é obrigatoriamente depositada em discursos políticos moralistas e promessas tecnológicas. Muitos de nós sabem bem o que é essa crise existencial, o “desespero do infinito”, essa doença terrível da alma que é a angústia de não conseguir justificar sua existência. Não poder encontrar a paz, a satisfação e o regozijo na morte. Seu labor é baseado no desespero, a vida é vivida no anseio de ser significativo para a história, de não ser apenas pó; a sensação de chegar aos 30, 40… 70 anos de idade e ter a impressão de que o tempo foi perdido, só pode levar à desistência ou a mais labor baseado na finitude.

Como Igor Miguel já disse, a morte biológica é apenas um drama mais expressivo e intenso, e um reflexo mais concreto de uma série de rupturas que acontecem na vida humana: quebra de vínculos familiares por desafeição, inimizade entre grupos étnicos, nacionalistas e partidos políticos, preferências de qualquer natureza, inimizades relacionais por causa de poder, dinheiro ou influência, etc. A morte permeia tudo que fazemos, e até quando desejamos fazer o bem, esse desejo vem acompanhado de orgulho e performance religiosa.

Todos nós sabemos que iremos morrer! Sabemos também que, a partir de certa medida, não podemos nos prevenir desse evento, pois ele é inevitável, é radical. A morte para alguns é a figura mais perturbadora, ainda que finjam ser eternos, finjam não se importar, finjam, por fim, ser livres.

Então, diante desse fato – a finitude – vemos outro fato claro: todos nós estamos em busca de algum tipo de salvação, por mais incoerente, insuficiente e estúpida que possa ela possa se revelar.

Quando olhamos para as Escrituras e refletimos sobre a história de Israel, percebemos que a morte é decorrente da separação entre o homem e Deus, a própria ruptura entre Criador e criação; ela entra em cena afastando-nos da relação com o Senhor. A morte é a saída do jardim.

A morte, portanto, é o princípio do nosso exílio!
O homem caminha dia após dia para a sua finitude.

Por causa do pecado, assim caminha toda a humanidade, desde os tempos de Adão e Eva, e assim tudo continuaria. Mas certo dia aconteceu algo que mudou tudo. “Ele não está aqui! Ressuscitou!” (Lc 24:6).

O homem começa a entender, finalmente, que o exílio que começara para longe de Deus não era um ciclo de morte inquebrável, mas uma longa jornada cujo trajeto voltava direto para o Criador!

As mulheres foram até Jesus pensando encontrar morte, na finitude. Tal foi a confusão em suas mentes quando se depararam com a vida, que os anjos precisaram relembrá-las da promessa de Jesus sobre seu triunfo sobre a morte.

“‘Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive? […] Lembrem-se do que ele lhes disse, quando ainda estava com vocês na Galiléia: “É necessário que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, seja crucificado e ressuscite no terceiro dia”‘. Então se lembraram das suas palavras” (Lc 24:5-8).

Era como se dissessem: por que vocês insistem em olhar para o mundo como se a única coisa que existisse fosse a morte? Por que ainda estão rememorando a morte no madeiro e o sofrimento, pensando no Messias como um fracassado, como apenas mais um homem refém do mesmo exílio causado pelo pecado?

Aquele homem, punido no madeiro, agredido, violentado, lançado à cruz e condenado para que Deus derramasse graça àqueles que ainda seriam julgados, não estava mais lá! Um filho de Adão venceu morreu por nós e também a venceu por nós, fechando esse ciclo tão perturbador e angustiante.

“Visto que a morte veio por meio de um só homem, também a ressurreição dos mortos veio por meio de um só homem. Pois da mesma forma como em Adão todos morrem, em Cristo todos serão vivificados” (1Co 15:21,22)
Os anjos chamaram aquelas mulheres a olharem para o mundo sob essa nova perspectiva: a ressurreição!

É isso que motiva a Igreja de Cristo. A Igreja precisa se deleitar na realidade de Cristo, e quando ela fizer isso, ela comunicará essa realidade. Não há como olhar para a tumba vazia, entendê-la e não se tornar, imediatamente, uma testemunha dessa visão. O ânimo que move nosso testemunho é orgânico, porque uma igreja que se encontrou com a vida, quer anunciá-la! “Quando voltaram do sepulcro, elas contaram todas estas coisas aos Onze e a todos os outros” (Lc 24:9).

O interessante é que, ao contrário do que a maioria não percebe, Tomé não foi o único insensato a não acreditar no triunfo de Jesus. Mesmo recebendo o anúncio da concretização da promessa de Cristo, por parte daquelas mulheres, todos os discípulos ficaram sem entender; eles não acreditaram!

“Mas eles não acreditaram nas mulheres; as palavras delas lhes pareciam loucura” (Lc 24:11).

Os discípulos até ali ainda estavam com aquela visão mais rasa possível, de que o Messias havia sido apenas um grande e bom homem, um perfeito exemplo de moralidade e de ação social, um judeu que, por fim, havia terminado seu exílio no martírio. Era mais um rebelde político que havia sido morto injustamente. Quão grande mais poderia ser a tolice de quem andou por três anos lado a lado com o próprio Deus em carne?

Pedro precisou ir até a tumba para se maravilhar por si mesmo com o que havia acontecido.

O texto mostra ainda outra situação reveladora: enquanto alguns dos discípulos estão andando a caminho de Emaús, Jesus aparece a eles. A perspectiva antiga, da morte, era tão forte e tão mais real que tudo na vida, que eles não reconhecem o Cristo ao seu lado! O texto dia que seus olhos estavam como que impedidos de reconhecê-lo. Jesus pergunta a eles do que conversavam, e a resposta é surpreendente:

“O que aconteceu com Jesus de Nazaré […] Ele era um profeta, poderoso em palavras e em obras diante de Deus e de todo o povo […] o entregaram para ser condenado à morte, e o crucificaram; e nós esperávamos que era ele que ia trazer a redenção a Israel” (Lc 24:19-21)

Veja que eles sabiam do que se tratava a jornada de Cristo, mas não faziam ideia do que ela significava. Eles estavam dizendo: “aquele que nós esperávamos que fosse o enviado de Deus, o Messias, que redimiria o nosso povo, nos tiraria do cativeiro, da tirania dos poderosos e encerraria nosso exílio, foi morto! Nossa esperança se foi!”
O limite da tolice é a expansão da cegueira!

Perceba como essa mesma informação pode ser experimentada de forma tão diferente com a perspectiva correta. Nós, salvos em Cristo, que contemplamos a Boa Notícia da ressurreição, mudamos apenas o final: “aquele que nós esperávamos que fosse o enviado de Deus, o Messias, que redimiria o nosso povo, nos tiraria do cativeiro, da tirania dos poderosos e encerraria nosso exílio, foi morto! Nossa esperança chegou!”

A cegueira persiste apenas até quando o Senhor se manifesta; e Cristo fez isso da forma mais emocionante e simbólica possível, ao partir o pão com eles mais tarde, mas não sem antes explicar novamente a eles o Evangelho relatado desde Moisés até os demais profetas, como é dito do verso 25 ao 27.

Jesus desaparece diante dos olhos daqueles homens assim que eles se dão conta de quem Ele era. Eles então correm até os demais discípulos e contam tudo o que aconteceu, quando Jesus reaparece, não com uma mera saudação, mas prenunciando o que sua obra trouxera: “Paz seja com vocês!” (Lc 24:36).

Aquele mesmo Jesus que outrora estava na cruz, com o corpo moído, inteiro retalhado, sangrando, com cora de espinhos, cravos nas mãos e pés, um pouco depois estaria na frente dos discípulos comendo peixe e mel!
A morte do Cordeiro inocente nos livrou do que era para nós, nos livrou da finitude. A ressurreição foi o último golpe sobre a morte!

A Boa Nova era que a eternidade havia invadido o tempo presente, trazendo o eterno para a nossa história. A Boa Nova é que nós podemos encarar de frente a morte, pois sabemos quem é que possui a chave da morte e do inferno!
A Boa Nova é que Aquele que morreu totalmente, também ressuscitou totalmente, para salvar pessoas totalmente. Cristo não morreu na cruz para salvar nosso espírito, mas nossa existência por completo! Não há dimensão da nossa vida que não seja atingida em cheio pelo que Ele fez.

Veríamos, a partir dali, um povo com um olhar tão diferente sobre a morte, que seriam marcados e lembrados pelo martírio em nome de Cristo. O testemunho deles foi o desapego da sua própria segurança pessoal, da tentativa de se autopreservar. O pavor diante da morte desapareceu; não existe mais desespero. Mais tarde, Paulo diria “o viver para mim é Cristo, o morrer é lucro!”

Que hoje, eu e você possamos pedir ao Senhor que o Espírito que ressuscitou Jesus dentre os mortos esvazie nosso coração para que possamos ser batizados – inundados! – pela ressurreição, pelo triunfo de Jesus. Que nós possamos enxergar todas as coisas pela perspectiva do Cristo vivo, com a nossa existência desintoxicada da morte, do vazio, do desespero, do ressentimento, da apatia, do cinismo, da violência e da murmuração; e sermos fartos do bom perfume de Cristo, do aroma da ressurreição. Que nós possamos ser renovados pela graça do nosso bom Senhor Jesus, que ressurgiu dos mortos e vive para sempre!

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Seu Sangue Purifica de Todo Pecado!

A igreja brasileira está inserida numa sociedade em decadência. A igreja é uma contracultura dentro de uma cultura decadente, em decomposição; uma sociedade que não tem princípios; uma sociedade que não é regida pela verdade de Deus. E essa era exatamente a realidade da igreja de Corinto.

Em Corinto havia um dos principais templos do culto grego, Afrodite, a deusa do sexo, com cerca de 10.000 prostitutas cultuais, que prestavam culto através da prostituição. O ambiente era de promiscuidade, lascívia, e todo tipo de imoralidade sexual. Lá também ficava a maior estátua de Apolo, que era um monumento ao corpo masculino, sugestionando a prática homossexual – não foi à toa que Paulo diz no capítulo seguinte que os efeminados não herdariam o reino de Deus. É provável que muitos irmãos antes da conversão estivessem perdidos nessa prática.

Infelizmente, a igreja de Corinto não vigiou e deixou que o problema que os rodeava também atingisse o seio da igreja. Paulo denuncia uma situação tão deplorável e repugnante que nem mesmo aos coríntios era comum: um homem que estava tendo relações sexuais com sua madrasta. O alerta de Paulo à igreja foi duro e seco! Muitos crentes hoje preferem até mesmo ficar com suas próprias opiniões sentimentais a favor do pecado do que realmente amar o corpo de Cristo e compreender quão danoso é a todos quando a perversidade é tratada com gentileza.

“E já condenei aquele que fez isso, como se estivesse presente. Quando vocês estiverem reunidos em nome de nosso Senhor Jesus […] entreguem esse homem a Satanás, para que o corpo seja destruído, e seu espírito seja salvo no dia do Senhor (1Co 5:3-5).

Obviamente, não bastaria o erro ser apontado à distância. A própria igreja era responsável por aquilo e os irmãos deviam agir rapidamente. Se a igreja não agisse, aquilo se alastraria. É aí que entra uma das frase famosas do apóstolos:

“O orgulho de vocês não é bom. Vocês não sabem que um pouco de fermento faz toda a massa ficar fermentada? Livrem-se do fermento velho, para que sejam massa nova e sem fermento, como realmente são. Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado” (1Co 5:6,7).

A igreja precisa tratar o pecado! A disciplina precisa ser feita em nome de Deus, no poder de Jesus e com a participação de toda igreja. A disciplina é um ato seríssimo e de extrema importância. Hoje vemos muitos evangélicos mal criados, prepotentes, com pouco conhecimento de Deus e da história de Israel; parecem não entender sua condição de queda e que subsistem diante de Deus apenas por misericórdia – ou seja, por Deus não lhes dar o que eles merecem: sua ira!

Na Antiga Aliança, Deus lançava juízo sobre toda a nação quando parte dela se desviava. O juízo trazia sofrimento a todos, mas enquanto para alguns era punição, para outros era disciplina. Deus sempre usou de disciplina para demonstrar seu amor por seu povo e fazê-lo voltar para si, para afastá-lo do pecado e prepará-lo para coisas maiores. Vemos isso em toda Escritura. Esse era o espírito de Paulo, cheio de uma ira santa, mas em defesa da igreja. O nome de Deus estava sendo blasfemado e o Espírito Santo entristecido. Havia uma série de consequências; a igreja não podia mais ter parte com aquele homem; ele precisava ser excluído de imediato. É nesse contexto que surge a argumentação de Paulo que se tornou o maior manual bíblico sobre como tratar o pecado na igreja. Nessa ocasião ele usa alguns argumentos baseados na festa da páscoa. Vejamos como foi o raciocínio.

A igreja de Corinto tinha tanto judeus quanto gentios na sua membresia. Certamente, como o cristianismo era baseado no Antigo Testamento, os membros gentios já tinham aprendido a respeito dos costumes e festas judaicas e como tudo aquilo prefigurava a Cristo. Eles sabiam, por exemplo, que durante dez dias os israelitas tinham que comer pão sem fermento – por isso às vezes a festa da páscoa também é chamada de Festa dos Pães Asmos. No final dos dez dias, o povo imolava (sacrificava) um cordeiro que precisava ter um ano de idade e sem defeito, que era comido entre a família, com ervas amargas e os pães asmos.

Todo cristão sabia, aquilo era um símbolo do sacrifício do Messias que permitiu a libertação do povo de Israel da terra do Egito, prefigurando assim a nossa libertação, o nosso êxodo espiritual do reino do pecado e da morte – o reino de Satanás – para o reino glorioso do nosso Senhor e Salvador.

A páscoa estava cheia de significado redentor, e Paulo usa, então, essa figura para ilustrar a razão pela qual nós não podemos suportar o pecado e permitir que ele permaneça em nós sem que seja tratado. Paulo diz, assim, que o pecado é como o fermento (v.6). É interessante notar que a denúncia do apóstolo incluía que a igreja se gloriava em sua espiritualidade, como também vemos no capítulo 14 inteiro, onde vemos que o culto estava basicamente uma baderna, uma confusão, travestida de poder do Espírito, apenas servindo ao ego dos membros que não se preocupavam com a edificação da igreja em si, mas em “edificar a si mesmos”, como aponta o apóstolo.

Todo tipo de pecado funciona como fermento, se não tratado. Seja o orgulho, a avareza, o exibicionismo ou a imoralidade sexual. A igreja de Corinto não costumava trazer disciplina aos irmãos, por isso tudo estava tão contaminado, ainda que eles conhecessem o Evangelho. Eis o perigo de se acovardar e deixar cada um “em paz” com seu pecado! Algo muito semelhante à política moderna do “não julgueis” que ouvirmos de muitos crentes.

O poder que o fermento tem de contaminar é usado por Paulo para se referir ao poder que o pecado não tratado tem de corromper e se espalhar. Quando a igreja não se apressa a tratar pecados expostos, eles se alastram e corrompem não só a mente de quem os pratica, mas, pelo exemplo, corrompe a mente de terceiros, que são encorajados pela conivência de quem podia fazer algo e não faz. Isso é tão comum hoje que se alguém tenta repreender e corrigir um irmão, logo aparece alguém perguntando se essa pessoa é perfeita, se ela não tem pecados, como se um pecado invalidasse o outro. Ora, se houver pecado exposto de quem fez a correção, que haja correção desse pecado também, ao invés de se encobrir ambos os pecados!

Livrem-se do fermento velho, para que sejam massa nova e sem fermento, como realmente são. Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado (1Co 5:7).

Por que ele diz que os irmãos já eram sem fermento? A razão é que Cristo, o Cordeiro Pascal, já foi sacrificado não só para nos livrar da culpa, mas nos purificar do pecado. Cristo morreu pelos nossos pecados, mas Ele também morreu para nos livrar do poder do pecado, para que sejamos uma nova massa! Não faz sentido entender o que Cristo fez e continuar nos mesmos pecados de antes, ao invés de celebrar essa festa que é a vida cristã! Nós celebramos a nossa libertação. Celebramos a vitória do Cordeiro! Por isso ele diz:

“Por isso, celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da perversidade, mas com os pães sem fermento da sinceridade e da verdade” (1Co 5:8).

Celebremos, porque mais do que o Cordeiro já ter sido sacrificado, perdoando nossos pecados e nos livrando do seu poder, Ele ressuscitou dos mortos! Ser cristão é fazer parte da família mais alegre do mundo! Mas essa alegria não faz vistas grossas para a corrupção.

Outro argumento de Paulo é que existe lugar para separação, sim, no povo de Deus. A separação da imoralidade e seus propagadores, muito mais se esses estiverem dentro da igreja, participando do sangue e do corpo de Cristo! A pior comunhão para a igreja é com imorais que se dizem cristãos. É desses que devemos nos separar.

“… vocês não devem associar-se com pessoas imorais. Com isso não me refiro aos imorais deste mundo […] agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer (1Co 5:9-11).

Muitos são os casos em que pessoas excluídas do seio da igreja retornam tempos mais tarde com aqueles pecados já deixados para trás, superados. Por isso é que Paulo dá uma ordem para a igreja que é decisiva para a saúde e da comunhão dos irmãos:

“Como haveria eu de julgar os de fora da igreja? Não devem vocês julgar os que estão dentro?
Deus julgará os de fora. “Expulsem esse perverso do meio de vocês“‘ (1Co 5:12,13).

Pode parecer uma disciplina severa, mas não se lembrarmos do que foi dito antes: “para que o corpo seja destruído, e seu espírito seja salvo no dia do Senhor” (1Co 5:5)

O alvo de Paulo é que, mediante a repreensão e o arrependimento o pecador seja salvo no fim das contas. Se Cristo morreu por tal pessoa, mas ela se entregou ao pecado por falta de correção da parte dos irmãos, o amor de Deus será expresso por ela lá fora, e o Senhor certamente a tratará e a reconduzirá para comunhão, como tantas e tantas vezes fez com seu povo eleito.

Nós não podemos nos deixar levar pela cultura que nos cerca! A cultura parece estar sempre mudando, mas sempre foi a mesma coisa, uma tolerância tremenda ao pecado, seja qual for. O mundo aceita tudo, mas nosso padrão é outro. Nós devemos é nos lamentar pelos pecados dos outros e nos arrepender dos nossos, pois o nosso Salvador morreu para tirar de nós o velho fermento. O sangue do Cordeiro foi vertido para que a morte passasse por cima e não pudesse nos encontrar!

Paulo usa como pano de fundo a comunhão dos irmãos, ainda nessa mesma carta aos coríntios, para citar as palavras do nosso Senhor, ditas na comemoração da páscoa com os discípulos. Foi na páscoa que Jesus disse que a partir dali o povo santo não celebraria mais a libertação do Egito, mas cearia trazendo à memória seu corpo e sangue que foi entregue pela Igreja (1Co 11:23-26)

Todos aqueles que estão em Cristo têm o livramento da morte, a remissão dos pecados, a salvação eterna, vida abundante com Deus! Nenhum de nós é perfeito, mas há perdão onde há arrependimento. Que saibamos dessa verdade e possamos viver de acordo com o Evangelho de Cristo.

– Lucas Rosalem

— Este texto é a 6ª parte da Série A Páscoa & o Evangelho. Confira a série completa AQUI.


 


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A Páscoa da Igreja Exilada

somos peregrinos nesta terra

“Assim comeram a páscoa os filhos de Israel que tinham voltado do cativeiro” (Esdras 6).

Essa era uma páscoa diferente. A páscoa dos peregrinos! Algumas versões dizem “aqueles que voltaram do exílio”. Assim se repetia a sina do povo de Deus.

O Templo estava em Jerusalém. O que acontecera com Israel, o reino do norte, jamais poderia acontecer com Judá; as promessas de Deus pareciam assegurar que uma tragédia assim não lhes sobreviesse. Mas não foi assim.

Nabucodonosor arrasou Jerusalém, levou os tesouros, prendeu o povo, matou uma multidão. A morte dessa vez não passara alheia como no Egito, mas veio de encontro! Judá foi desconectado de sua cultura, de sua religião e de sua história; um momento onde muita humilhação havia foi experimentada, e ninguém saberia mais o que era a páscoa por muito tempo – a celebração que relembrava dos grandes atos do Senhor e o drama do livramento recebido no Egito fora impedida. A celebração deveria ser no lugar onde o Senhor havia escolhido, não em qualquer lugar. Com o povo estava cativo na Babilônia não havia o que fazer.

O sofrimento foi tamanho que o profeta Jeremias escreveu todo um livro com as suas Lamentações. Eles não tinham mais nada! Como consequência do pecado de Israel, a história agora os obrigara a, mais uma vez, se esquecerem do grande evento de salvação. Contudo, dessa vez. Nada podiam fazer para mudar o cenário dessa vez; mudança de postura não bastaria. Podiam apenas se lamentar. Deus, no entanto, não se esqueceu do seu povo e de suas promessas.

Na Babilônia não havia páscoa. Não havia esperança!

Talvez você pense que ir à igreja e cantar louvores a Deus seja difícil diante da situação em que você se encontra. Talvez seu espírito esteja abatido, angustiado e, por tudo que você passou, a liberdade em Cristo não pareça ser motivo suficiente para alegria. Mas imagine quantas orações o povo havia feito no cativeiro, sem poder celebrar, sem ter o que celebrar. Eles, no entanto, precisavam se lembrar da esperança. A fé deles, de algum modo, foi preservada e purificada assim.

Muitos anos à frente o novo imperador permitiu que templos fossem construídos e sacrifícios fossem feitos. Um gesto de libertação que havia sido profetizado por Jeremias (Ed 1:1-4). O povo então volta para Jerusalém e começa a reconstrução do Templo, mas as dores do exílio não passaram tão fácil assim.

Veja como Deus os preparou para levá-los novamente para si. Eles não apenas voltaram para sua terra, mas voltaram com uma finalidade: adorar a Deus livremente! E esse era um momento muito diferente. Eles eram poucos, estavam fracos e pobres. A nação perdera seu orgulho, pois perdera sua importância. Diante disso há uma comoção generalizada na construção do Templo. A Bíblia diz que eles louvavam enquanto faziam os fundamentos do Templo, dizendo “Ele é bom e o seu amor por Israel dura para sempre”. Havia aqueles que choravam, pois tinham visto a glória do primeiro Templo, mas havia também choro de júbilo (Ed 3:11-13).

Deus estava mostrando ao seu povo que só Ele poderia trazer livramento. Só Ele tinha interesse em preservá-los. Só Ele era justo e misericordioso. Só Ele tinha um plano para salvá-los, remi-los e ainda assim manifestar sua justiça contra o pecado. O plano todo de redenção ainda não havia sido revelado à humanidade, mas a páscoa os fazia relembrar do sangue derramado, do preço pago pela sua libertação. O preço de serem novamente conduzidos a Jerusalém havia sido pago na eternidade pelo Cordeiro de Deus. Todo a jornada de Israel era garantida e em direção ao sacrifício dos sacrifícios.

A dor do exílio ainda estava lá. Havia cicatrizes, marcas profundas, desgaste, prejuízo. Eles não eram os mesmos. Apesar disso, o povo estava feliz e reconhecia a grandeza da libertação! A festa foi pequena, mas foram sete dias de alegria! (Ed 6:22). Eles poderiam ter se revoltado ou desanimado, mas o povo de Deus não é assim. E não se cultua apenas quando tudo está bem. Eles agora podiam adorar no Santo Monte! Eles, na verdade, só tinham a adoração a Deus. Apenas o Templo e uma festa para celebrar. Apenas a liberdade e a memória. Trazendo para a nossa realidade, é como se eles alegrassem apenas dizendo “que bom que eu sou crente! Nada mais tenho, senão o Senhor da minha salvação! Ainda tenho fé. Eu posso adorar a Deus. Faço parte do povo escolhido, o povo de Cristo!”

Nós celebramos Jesus na páscoa, e o que Ele fez foi exatamente perder tudo que tinha. Esse é o caminho mais difícil: perder todas as coisas para depois retomá-las sem idolatria. O caminho é necessário e indispensável.

A nação havia passado, sem perceber, por uma circuncisão no coração. Eles estavam agora compreendendo que o bem deles não era a terra, mas o Deus da terra. Aliás, é isso que somos: peregrinos nesta Terra! Davi entendia isso quando adorou a Deus reconhecendo que só Ele era dono de tudo que há nos céus e na terra e que Israel era povo estrangeiro e forasteiro como seus antepassados. Ele disse ainda: “Os nossos dias na terra são como uma sombra, sem esperança” (1Cr 29:11-15).

Nós precisamos aprender que somos peregrinos! Precisamos entender que estamos em exílio e que esse é o motivo do anseio das nossas almas. Israel constantemente se esquecia disso e voltava ao exílio para relembrar. Eles precisavam aprender que ninguém tem uma terra. Ninguém tem uma cidade. Ninguém tem uma riqueza, um filho, uma mulher, uma carreira. Ninguém tem nada. Quem tem tudo é Deus – quem tem Deus tem tudo! O peregrino sabe que só Deus tem a terra, só Ele pode tirá-la e só Ele pode devolvê-la. O peregrino pode ter a terra, mas ele quer o Senhor!

Por isso nessa época eles eram chamados ainda de exilados, mesmo já tendo voltado para Jerusalém. Isso estava na alma judaica. O povo escolhido sempre estava sendo levado em direção a Jerusalém, não só literalmente, mas espiritualmente. Nós somos esse povo!

Veja como o apóstolo Pedro saudava a Igreja: “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos, peregrinos da dispersão…” (1Pe 1:1). Nós somos um povo sem terra. Um povo que é constantemente levado ao sofrimento, ao exílio, para aprender que é peregrino, mas filho do dono de toda a Terra!

Na ceia, nós celebramos o que Deus fez por nós através de Jesus. Mas Jesus disse também que não estaria presente fisicamente até aquele grande dia, no final, quando Ele voltaria e cearia conosco. Essa é a vida do cristão. Vivida entre um grande evento de salvação acontecido no passado, o qual constantemente relembramos, e a expectativa de um maior evento ainda que virá, a saber, a ressurreição final. Nós estamos ainda no meio do caminho; somos peregrinos.

Ainda que tudo esteja dando certo, nós ainda somos peregrinos. Não se assente em seu lugar imaginando que a vida está ganha e que a felicidade e a realização será encontrada no lugar onde você se está. Você está numa jornada, está trilhando em direção a Jerusalém. Muitas experiências ainda poderão lhe trazer saudade das glórias passadas. Peregrinar não é coisa simples! Mas vivemos na esperança de termos sido ressuscitados antes para sermos ressuscitados finalmente no Grande Dia!

É isso que significa celebrar a páscoa.

Repense suas alegrias. Repense suas motivações, seu anseio e até seu choro. O que importa não é a terra, mas o Deus da terra. Que a alegria que nós temos por termos o Senhor Jesus já seja suficiente para celebrar agora. Em seus problemas, Deus está te ensinando algo.

Não deixe que a páscoa seja apenas uma data, mas uma realidade!

– Lucas Rosalem

— Este texto é a 5ª parte da Série A Páscoa & o Evangelho. Confira a série completa AQUI.


 


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Trazendo à memória a Esperança!

“Nunca se celebrara em Israel uma páscoa
semelhante a essa” (2 Crônicas 35)

É curioso que tanto tempo depois da primeira páscoa, depois de tantos momentos importantes, impressionantes e de vitória, essa páscoa, nos tempos do rei Josias, tenha sido tão memorável como a passagem a descreve, não é?
O problema de Israel era que eles haviam se esquecido do grande evento de salvação! O povo havia se esquecido do pacto que Deus fizera com eles concedendo livramento e preservação. O descaso trouxe juízo. Agora, o anjo da morte não passaria sem tocá-los.

Como foi profetizado pelo profeta Oséias, um grande império pagão agressivo havia se levantado trazendo juízo de Deus: o Império Assírio. As tribos estavam divididas entre dois reinos desde a morte de Salomão entre: Israel ao norte e Judá ao sul. Israel estava totalmente dominado pela Assíria e Judá em uma situação delicada, com o reino sendo pressionado e influenciado, com pouca autonomia, além de muitos problemas de pecado e idolatria com cada rei que assumia o trono. Até que, em dado momento, o Império Assírio tem seu poder enfraquecido e Deus levanta um novo rei em Judá, chamado Josias, que aproveita a ocasião para fazer uma reforma religiosa.

Nessa reforma, o sumo-sacerdote encontrou um livro misterioso e desconhecido na Casa do Tesouro. Tal era a situação dos judeus que o sacerdote nem sabia como ler o tal livro e o levou a um escriba que se assustou com o que estava escrito: se tratava de um rolo de Deuteronômio! Josias deve ter tido arrepios de perceber como eles estavam longe do pacto feito entre Deus e Israel!

Como poderiam escapar impunes da ira de Deus depois de tanto tempo de descaso, pecado e idolatria? Quem pagaria a conta? Sangue certamente seria derramado! De imediato, houve um profundo arrependimento que projetou aquela mera reforma do santuário para uma transformação no rei, na classe sacerdotal e nos levitas, que se estendeu a todo território de Israel. Esse é o potencial da Palavra do Senhor!

Diante do arrependimento sincero do rei, Deus manda um recado a ele, dizendo que Israel sofreria ainda mais, mas Judá escaparia do juízo (2Rs 22:16-20).

Josias chama todo o povo, faz todo o povo ouvir aquelas palavras do livro, renovando assim o pacto. O rei começa, assim, a trazer a memória do povo de Deus aos seus contemporâneos. A memória os conectou novamente à Aliança e uma esperança gloriosa estava sendo declarada. O resultado não poderia ser outro! Arrependimento profundo, mudança de mente, renovação da fé e uma esperança restaurada.

Ninguém subestime o poder de transformação que a Palavra de Deus pode causar no ser humano!
Mais uma vez o Senhor usaria de sua misericórdia com o remanescente fiel de Israel. Mais uma vez haveria perdão de pecados. Mais uma vez eles teriam esperança!

Com o fervor restaurado, a páscoa volta a ser celebrada e nunca antes se celebrara em Israel uma páscoa semelhante.
A história de Israel é a nossa história. A história de Josias é a nossa história! Esses eventos de salvação vão culminar na Nova Aliança, no Cristo vivo que triunfou sobre a morte e o pecado em sua cruz e ressurreição.

A Lei lembrou Israel do pacto, a Antiga Aliança. O Evangelho nos lembra do nosso pacto, a Nova Aliança, firmada com Cristo em sua morte e ressurreição. Lembrar da Aliança é lembrar do sangue derramado pelo Cordeiro! É lembrar que estamos cobertos pela proteção de Cristo! O anjo da morte passará, mas já não pode nos tocar. É isso que a páscoa nos traz à memória.

Glória a Deus!

– Lucas Rosalem

— Este texto é a 4ª parte da Série A Páscoa & o Evangelho. Confira a série completa AQUI.


 


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Confie! A salvação está preparada!

Noé e sua família receberam livramento da morte, e a linhagem santa prosseguiu com os descendentes de Sem, e a terra se encheu novamente.

Agora o Senhor chama a Abraão (Gn 12.1) e a partir daqui tudo fica mais claro. O Senhor promete a Abraão que ele será pai de multidões e que por meio dele seriam benditas todas as nações da terra (Gn 12.2-3). Abraão parte para seu exílio e, na sua velhice, tem um filho, Isaque, que herdaria a promessa (Gn 21.5). Mas algo inusitado acontece: o Senhor pede que Abraão sacrifique Isaque (Gn 22.2) e surge aqui um dilema mais cruel das Escrituras: como Deus prometera que Abraão teria um filho de onde sairia sua descendência e agora estava pedindo que esse fosse sacrificado? Abraão não tem dúvidas, ele obedeceria.

A questão parece difícil, mas Deus tinha um propósito muito superior ao de “testar” a fidelidade de Abraão. Momentos antes de Isaque ser sacrificado, o Anjo do Senhor o impede (Gn 22.11). E imediatamente é avistado um carneiro; que foi sacrificado no lugar de Isaque (Gn 22.13). O evento tanto moldou o coração de Abraão quanto, mais uma vez, prenunciou aquilo que Deus havia planejado para livrar seu povo do salário do pecado – o maior evento da história!

De Isaque nasceram Esaú e Jacó (Gn 25.25-26). A promessa já havia sido feita: o mais velho [Esaú] serviria o mais moço [Jacó] (Gn 22.23). De Jacó que surgem as doze tribos. Dos filhos de Jacó, temos o mais conhecido deles que foi José – que foi vendido por seus irmãos como escravo e foi para o Egito (Gn 37.28). José sofreu muitas acusações falsas e passou boa parte de sua vida preso. No tempo oportuno o Senhor deu um sonho a Faraó, e José foi chamado para interpretar este sonho (Gn 41.14). A conclusão era que na terra haveria um período de bonança, mas cessado este período viria grande fome sobre a terra (Gn 41.29-30). O fiel José foi promovido (Gn 41.40). Aquele que era escravo, preso sob falsa acusação, passou a ser um dos homens mais importantes do Egito.

A fome avassaladora alcança a família de Jacó, mas Deus já havia preparado o livramento; o exílio recomeça! Ainda que não fossem nada merecedores e não pudessem sustentar a Aliança feita entre Deus e seus pais, Deus havia preparado uma maneira de cumprir sua parte e também a deles!

A família sobe para o Egito em busca de alimentos e, chegando lá, quando os irmãos de José veem que está vivo, temem que José se vingue. Mas José foi como uma sombra de Cristo, o misericordioso que trouxe salvação e perdão! José sabia que, através de seus irmãos, o próprio Deus o havia enviado ao Egito para que o povo fosse livrado e a linhagem de Judá fosse preservada (Gn 45.7).

Todos estes eventos registrados nas Escrituras nos conduzem a Cristo. A pele de animal que cobriu Adão e Eva de sua nudez apontava para algo superior; Cristo verdadeiramente cobre nossa vergonha, nudez, pecado! Seu sangue nos lava e purifica de toda injustiça. A arca surge como símbolo de salvação; a morte é anunciada por meio do dilúvio, mas da arca vem o livramento. Enquanto todos que não têm Cristo perecerão, aqueles que estão em Cristo viverão! O carneirinho substituindo Isaque aparece como de fato aconteceu para nossa salvação: um inocente morrendo no nosso lugar! Claro que sangue de animal algum teria poder para remir de pecados, mas naquele momento ele prefigurava algo maior. Com Jacó aprendemos que o Senhor preserva o seu povo, ainda que por meios que não possamos entender. A esperança permanece viva até hoje. Veremos como isso é revelado progressivamente no decorrer da história de Israel nos próximos capítulos.

Ao Senhor pertence a salvação!

– Felipe Moura

— Este texto é a 3ª parte da Série A Páscoa & o Evangelho. Confira a série completa AQUI.


 


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O Cordeiro que livrou a todos!

o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo - páscoa

A humanidade está em exílio! A descrição da história de Adão e Eva no Gênesis é a descrição do exílio de todo ser humano. Cada homem que já veio a existir esteve no estado de inquietação, em busca de um lugar onde sua alma pudesse se descansar.

Quando abrimos a Bíblia, especialmente em Gênesis, vemos inúmeras histórias e personagens. Pode ser difícil para alguns perceberem, mas tudo ali está conectado. Tudo o que acontece, cada ação ou ordem divina, tem um propósito glorioso! Todos os eventos são sombras de um único e fantástico evento universal: a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Cordeiro Pascal, que trouxe o livramento e a preservação de todos os eleitos de Deus!

Já com Adão e Eva houve, os primeiros humanos, houve necessidade de redenção. O casal quebrou sua ligação com Deus ao dar ouvidos à serpente, arruinando a situação da humanidade. Deus havia dito que a desobediência traria morte sobre eles, e agora nada poderiam fazer para da ira do Senhor. No entanto, Deus não queria que tudo se acabasse ali mesmo, ao passo que o pecado deveria ser punido de qualquer forma. Então, Ele mesmo providencia um sacrifício para cobrir a vergonha do casal (Gn 3.21). Houve livramento; a humanidade foi preservada pela misericórdia do Criador!

Deus, assim, revelou parte do que era necessário para que houvesse perdão justo dos pecados: uma morte substitutiva. Ele também prenunciou parte do Grande Plano ao casal, dizendo que a mulher daria luz a um descendente que esmagaria a cabeça da serpente (Gn 3:15). O casal certamente não poderia imaginar o que esse descendente fosse o próprio Filho de Deus e que a sua morte era que havia sido tipificada no sacrifício feito no jardim para cobrir sua vergonha.

Adão e Eva tiveram filhos. Os mais conhecidos são Caim e Abel (Gn 4.1-2). Mas o pecado agora estava à porta e assolava cada humano. Caim assassinou seu irmão (Gn 4.8). Parecia que o descendente da mulher, a esperança evangélica, havia sido frustrada. Mas o Adão e Eva tiveram outro filho, a quem deram o nome de Sete. Recebeu este nome porque o Senhor deu a Eva outro descendente no lugar de Abel (Gn 4.25). A esperança renasce!

Porém, os efeitos do pecado permaneceram. A terra se encheu de pessoas e, com a mesma proporção, se encheu de violência e pecado (Gn 6.5). Como poderia tanto mal passar impune? De maneira nenhuma! Mas Deus não planejava terminar tudo ali. Havia um plano para trazer juízo e ainda assim continuar a história da humanidade e preservar a descendência que traria a esperança aos homens.

Deus resolve destruir a humanidade (Gn 6.7), mas Noé, da linhagem de Sete, é agraciado por Deus (Gn 6.8). A história de Noé todos sabemos. A morte veio sobre a humanidade, mas, assim como no grande evento que seria chamado de páscoa, passou por cima da família de Noé sem atingi-la.

O Senhor preservou a linhagem da mulher como prometera, punindo um povo perverso e livrando uma única família por um preço justo que seria revelado tempos depois, na cruz. A linhagem santa continuou!

— Este texto é a 2ª parte da Série A Páscoa & o Evangelho. Confira a série completa AQUI.


 


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Afinal, o que é a Páscoa?

cruz páscoa

O cristianismo é conhecido no mundo todo, assim como o personagem principal da sua narrativa, Jesus Cristo. No entanto, até mesmo dentre os cristãos há muitas dúvidas sobre o que é a páscoa e se ela deve mesmo ser celebrada por nós. Você saberia dizer?

Este texto introduz uma série de 7 exposições bíblicas do Evangelho a partir da narrativa da páscoa.

Há duas formas bem comuns de errar sobre o assunto:

1) Achar que os cristãos apenas celebram porque está na Bíblia, em memória do evento que marcou a saída de Israel do Egito. Afinal, até Jesus a celebrou.

2) Achar que a páscoa cristã nenhuma relação tem com a páscoa judaica e que se trata exclusivamente o evento da morte e ressurreição de Jesus.

Ambos os pensamentos estão equivocados. Nós não celebramos a páscoa meramente por ser uma celebração que está na Bíblia. Aliás, há várias outras celebrações judaicas e nós não celebramos nenhuma delas. Contudo, a páscoa cristã está completamente conectada com o evento que recebeu o nome de “páscoa” para os judeus. Todo cristão deveria entender bem desse assunto, visto que é justamente sobre o Evangelho da salvação, como explicaremos. Infelizmente, a maioria das igrejas brasileiras celebra ou por misticismo, ou por entretenimento, sem expor à igreja qual sua importância

A páscoa é sobre Cristo, é sobre o Evangelho. Mais especificamente, sobre a ressurreição de Cristo. A páscoa representa a esperança cristã na vida eterna; representa o livramento de Deus para o seu povo; representa a libertação e a preservação dos eleitos, de todo aquele que confia nele.

A páscoa, portanto, demonstra sobre alguns aspectos específicos do Evangelho que são encontrados também em vários outros lugares das Escrituras. Vários eventos narrados na Bíblia mostram a mesma estrutura e as mesmas características – contidas na páscoa, tando judaica quanto cristã – do plano de redenção que Deus traçou desde a eternidade.

Nesta série pretendemos mostrar ao leitor como identificar a semelhança entre a páscoa e o Evangelho encontrado em outras passagens, assim como ajudá-lo a entender o propósito, as conexões e a importância da páscoa judaica e a ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu na cruz para perdoar todos os nossos pecados.

Muitas vezes, na história da humanidade, Deus se manifestou para livrar seu povo. É isso que a páscoa nos traz à memória. Para muitos, a páscoa é apenas sinônimo de mais um feriado, mais uma data comercial. Esperamos que, com essa série, você possa enxergar essa celebração tão cara à Igreja de Cristo com outros olhos.

Em Cristo,

– Lucas Rosalem – facebook.com/ApenasOEvangelho

— Este texto é a 1ª parte da Série A Páscoa & o Evangelho. Confira a série completa AQUI.


 


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Uma explicação básica do Evangelho

explicacao-basica-do-evangelho

Dizer pra alguém que o Evangelho é as boas novas não vai salvá-lo.
Dizer que Jesus é a verdade e o caminho também não. Por quê?

Por que isso só tem significado real se a pessoa entender o contexto e entender o que essas coisas significam. Ninguém será salvo se não entender POR QUE e O QUE aconteceu na cruz.

Se a pessoa não entender, por exemplo, que a salvação não acontece por ser uma pessoa boa (pois a salvação não é pelas próprias obras, mas pela fé nas obras de Cristo), se ela não entender o que é a justificação (como é que somos considerados justos pelo que Cristo fez) e porque precisamos de salvação (o problema do pecado e da recompensa por ele), então o Evangelho não foi explicado direito.

Há muitas coisas que se não forem explicadas, a crença se torna fraca e insuficiente.


 

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Jesus é o educador e o mestre

O processo pedagógico e progressivo da libertação humana, iniciado com o que acontece na natureza e na história chegou a seu ponto mais alto em Jesus Cristo: Jesus é o educador e o mestre que traz o “verdadeiro conhecimento, a fim de que nós, imitando o que ele fez e obedecendo às suas palavras, tivéssemos comunhão com ele” (segundo Irineu). É assim que o ser humano é libertado da morte, da fragilidade e do poder do pecado, e assumido em comunhão de vida com Deus (Edward Schillebeeckx).

Pastores não podem ser covardes!

Ser um pregador da Palavra de Deus não é um trabalho para covardes.

Aqueles que são chamados para expor o Evangelho encontrarão diante diante de si lobos travestidos de ovelhas, assassinos da verdade, hipócritas, falsos mestres, profetas da mentira, gananciosos mercenários, homens que distorcem o Evangelho com a finalidade de tirar proveito pessoal dele.

Não devemos temê-los, mas denunciá-los com o antigo Evangelho de Cristo, proteger as verdadeiras ovelhas e conduzi-las sob a autoridade do Bom Pastor, o Senhor Jesus (Pr. Ewerton B. Tokashiki).

Apenas o Evangelho


 

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Jesus merece toda a nossa confiança!

Jesus merece toda a nossa confiança, e devemos dar testemunho dessa confiança, não apenas “verbalmente”, mas sobretudo pelo testemunho da vida, tentando concretizar visivelmente a praxe do reino de Deus pregada por Jesus. De fato, nas circunstâncias modernas, uma “mensagem” , sem essa praxe da vida, não surtirá efeito! Tornar-se-ia, então, uma propaganda ideológica, não um desafio ou um testemunho convidativo.

Por isso, uma cristologia teológica – mesmo “ nova” – não será testemunho eficiente, se não for reflexo teológico do que se torna visível na vida das Igrejas, em oração e em cuidados pelo próximo, como praxe do reino de Deus, como “ortopráxis” cristã. Somente então, também uma reflexão mais profunda sobre a identidade de Jesus se torna realmente fecunda.

Quem é salvo, entende. Quem é cristão reconhece Jesus de Nazaré como a decisiva e definitiva “salvação de Deus”. Descobre, portanto, na história do homem Jesus, a “história de Deus” . Não se trata de uma espécie de conclusão “ exegética” , resultado de profunda análise dos textos do Novo Testamento (por mais que tal exegese seja também necessária para conhecermos a verdadeira história de Jesus).

Exatamente neste Jesus, na sua mediação que tanto vela quanto revela, é que a proximidade intermediada da misericórdia de Deus se condensa mais do que em qualquer outro lugar. Em nenhum outro momento a mediação velada alcançou tão grandes proporções; chegou-se até a entregar Jesus à morte em nome de uma ortodoxia religiosa. No entanto, quem se abre para Jesus e aceita a metanóia que ele prega, encontra palpavelmente nele, como em nenhum outro lugar, a presença imediata e gratuita de Deus.

– Edward Schillebeeckx
Apenas o Evangelho


 

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